
A Casa Branca afirmou nesta quarta-feira (8) que o acordo de cessar-fogo negociado com o Irã não inclui uma trégua no Líbano. A posição foi dada pela porta-voz Karoline Leavitt após questionamentos sobre a continuidade dos bombardeios israelenses no território libanês. O recorte amplia a disputa em torno dos termos do acordo anunciado entre Washington e Teerã.
Mais cedo, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, e o chefe do Estado-Maior, general Dan Caine, disseram que os objetivos militares americanos haviam sido alcançados, mas indicaram manutenção das tropas na região. A Casa Branca também informou que uma primeira rodada de negociações com o Irã deve ocorrer no Paquistão, enquanto o vice-presidente J.D. Vance advertiu que o rompimento do acordo traria “sérias consequências”.
O principal impasse já exposto entre os dois lados envolve o enriquecimento de urânio. Segundo a proposta iraniana mencionada no noticiário, Teerã quer preservar esse direito e incluir no pacote reparações pelos danos da guerra, retirada de militares americanos das bases na região e fim das sanções. A Casa Branca nega que esse texto seja a base formal da negociação.

Donald Trump afirmou nesta quarta-feira (8) que não haverá enriquecimento de urânio e sinalizou que aceita discutir o fim das sanções. Em paralelo, a Casa Branca disse à Reuters que o Irã indicou disposição para entregar estoques de urânio enriquecido, ponto tratado por Washington como central para o avanço das conversas.
Do lado iraniano, o presidente do Parlamento, Mohammad Ghalibaf, declarou que três pontos já teriam sido desrespeitados antes mesmo da abertura das tratativas: os ataques no Líbano, a entrada de um drone no espaço aéreo iraniano e a posição americana de negar o direito do país ao enriquecimento de urânio. Segundo ele, nessas condições, cessar-fogo e negociações deixam de ser razoáveis.
A divergência sobre o Líbano já aparece como um dos focos mais imediatos de instabilidade. Reuters e outros veículos registraram que Israel e Estados Unidos sustentam que a trégua não se aplica ao território libanês, enquanto Irã e Paquistão defendem interpretação mais ampla. Com isso, o cessar-fogo de duas semanas entra nas negociações carregando desacordo sobre alcance territorial, programa nuclear iraniano e sanções.