
A casa onde o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viveu parte da infância continua de pé em Vicente de Carvalho, distrito de Guarujá, no litoral de São Paulo. O imóvel, que conserva elementos da construção antiga, guarda a memória da chegada da família Silva à região há mais de sete décadas.
A propriedade pertence à família de Marcos Romor desde a década de 1980. Ele comprou a parte dos tios após a morte dos avós e reformou a residência, onde sua mãe mora atualmente, preservando a área do chalé e uma parede de madeira.
“A casa permanece com a mesma estrutura e tem aproximadamente 100 anos”, afirmou Romor. O imóvel tem três quartos, sala, cozinha e banheiro, e seus fundos também mantêm traços da construção que existia quando Lula morou no local.
Lula chegou ao litoral paulista em dezembro de 1952, aos sete anos, depois de viajar com a mãe, Eurídice Ferreira de Mello, a Dona Lindu, e os irmãos em um caminhão pau de arara. O trajeto desde Pernambuco durou 13 dias e 13 noites e percorreu cerca de 2,5 mil quilômetros.
Viagem de Pernambuco e vida em Vicente de Carvalho
Antes da mudança, Aristides Inácio da Silva, pai de Lula, havia deixado o sítio Vargem Comprida, em Caetés, no Agreste pernambucano, para buscar trabalho em São Paulo. Ele se empregou como carregador de sacas de café em um armazém de Santos e passou a viver em uma casa de madeira em Itapema, nome antigo de Vicente de Carvalho.
A família se reuniu no distrito após Dona Lindu vender a casa e os poucos bens que possuía em Pernambuco. A residência onde viveram não tinha água encanada nem energia elétrica. Para sustentar os filhos, Dona Lindu recolhia grãos de café que caíam nas calçadas dos armazéns do Porto de Santos e os vendia.
Lula começou a trabalhar ainda criança. Ao lado do irmão Frei Chico, vendia amendoim, tapioca e laranjas no cais de Santos; mais tarde, atuou como engraxate no centro da cidade. Em 1954, iniciou os estudos na Escola Estadual Marcílio Dias, em Vicente de Carvalho, onde permaneceu até 1956.
Dona Lindu se separou de Aristides em 1955 e, no ano seguinte, mudou-se com os filhos para a Vila Carioca, no Ipiranga, em São Paulo. Aristides continuou trabalhando no Porto de Santos por mais de duas décadas, enfrentou problemas com alcoolismo e morreu em 1978, em Vicente de Carvalho.



