Casal Clinton vai depor no caso Epstein para evitar desacato no Congresso

Atualizado em 2 de fevereiro de 2026 às 22:34
Bill e Hillary Clinton

O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton e sua mulher, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, concordaram em prestar depoimentos presenciais em Washington no âmbito da investigação do Congresso sobre Jeffrey Epstein. A decisão foi tomada às vésperas de uma possível votação na Câmara para declará-los em desacato, após meses de impasse em torno do comparecimento do casal às oitivas.

Ainda não está definido se o presidente do Comitê de Supervisão da Câmara, James Comer, aceitará a proposta feita em cima da hora, nem se a votação em plenário seguirá adiante. O comitê avalia que os Clintons descumpriram repetidamente intimações legais ao não comparecerem a depoimentos presenciais previamente marcados.

Em declaração pública, um porta-voz dos Clintons afirmou que eles aceitaram todos os termos apresentados pelo comitê e que pretendem colaborar para estabelecer um precedente de igualdade de tratamento. Comer, por sua vez, disse que a proposta ainda carece de clareza, especialmente quanto às datas dos depoimentos, e afirmou que só houve avanço porque o Congresso decidiu levar adiante o processo de desacato.

Bill Clinton nos arquivos Epstein

Parlamentares democratas do comitê afirmaram que não veem motivo para rejeitar a oferta, sustentando que o casal aceitou todas as condições exigidas. O deputado Robert Garcia declarou que o objetivo sempre foi ouvir Bill Clinton formalmente e que a concordância para depor representa um avanço após meses de negociações.

O impasse se arrasta desde agosto, quando Bill Clinton recebeu a intimação inicial. Segundo o presidente do comitê, os advogados dos Clintons tentaram impor restrições consideradas inaceitáveis, como limitar o tempo do depoimento e transformar a oitiva formal em uma entrevista voluntária. Essas condições foram rejeitadas, levando a Câmara a preparar uma votação para enquadrá-los por desacato.

Os advogados chegaram a propor entrevistas voluntárias de quatro horas, com escopo restrito à investigação sobre Epstein, realizadas em Nova York, mas o comitê recusou. Comer afirmou que aceitar esse formato abriria margem para manobras de atraso e questionou a exigência de que os Clintons tivessem seus próprios taquígrafos, além do registro oficial do Congresso.

Bill Clinton nega reiteradamente qualquer irregularidade relacionada a Epstein. Mesmo assim, a liderança republicana sustenta que apenas depoimentos presenciais, sob juramento e nos moldes tradicionais do Congresso, atenderiam ao interesse público por transparência. A decisão final sobre a aceitação da proposta e a continuidade do processo de desacato deve ser tomada nos próximos dias.

Davi Nogueira
Davi tem 25 anos, é editor e repórter do DCM, pesquisador do Datafolha e bacharel em sociologia pela FESPSP, além de guitarrista nas horas vagas.