
A Casas Bahia informou neste domingo (16) que avalia renegociar dívidas com credores, incluindo a possibilidade de apresentar um novo pedido de recuperação judicial ou extrajudicial. A varejista tomou a decisão após registrar prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026, diante de uma perda de R$ 555 milhões no mesmo período do ano anterior. Com informações de Folha de S.Paulo.
O resultado levou o patrimônio líquido da companhia a um saldo negativo de R$ 8,1 bilhões. Na prática, mesmo se vendesse seus bens e recebíveis, a empresa ainda não teria recursos suficientes para quitar todas as obrigações com credores.
Na divulgação dos resultados, a empresa afirmou que estuda medidas de reorganização formal de passivos e obrigações. “Dentre as medidas avaliadas pela companhia e passíveis de potencial implementação estão medidas de reorganização formal de seus passivos e obrigações, incluindo possível nova recuperação extrajudicial ou recuperação judicial”, declarou.
A rede já usou a recuperação extrajudicial em abril de 2024, quando tinha dívidas de R$ 4,1 bilhões. A companhia concluiu aquele processo três meses depois, mas voltou a enfrentar perdas sucessivas desde então.
Fechamento de lojas e redução de despesas

A Casas Bahia fechou 298 lojas e revisa seu quadro de funcionários, contratos, despesas e investimentos. Informações publicadas pelo Valor Econômico indicam que a empresa demitiu cerca de 2 mil pessoas na semana anterior.
A varejista declarou que pretende adequar a estrutura de custos ao novo nível de atividade e geração de caixa. Também planeja mudar a estratégia comercial dos canais digitais, priorizando margem e caixa em vez do aumento do volume de vendas ou da expansão de categorias sem rentabilidade.
A dívida líquida ficou em R$ 1,2 bilhão ao fim de junho. A companhia atribuiu o prejuízo principalmente a R$ 5,7 bilhões em baixas contábeis ligadas a imposto de renda diferido, ágio, revisões contratuais, reorganização de pessoal e fechamento de unidades.
A auditoria EY se absteve de emitir opinião sobre as demonstrações financeiras do segundo trimestre e citou “incerteza relevante” sobre a capacidade de continuidade operacional da empresa. O valor de mercado da Casas Bahia na Bolsa atingiu R$ 660 milhões.
Este foi o oitavo trimestre consecutivo de perdas para a varejista. O consultor Alberto Serrentino, sócio da Varese Retail, atribuiu o quadro ao ciclo prolongado de juros elevados, que encarece a despesa financeira de empresas com margens baixas e alto endividamento.
A taxa Selic estava em 14% ao ano, ante 2% ao ano entre o fim de 2020 e o início de 2021. Para Serrentino, a alta dos juros atingiu empresas que ampliaram a alavancagem quando o crédito era barato e havia liquidez após a pandemia.
A família Klein não controla mais a companhia. A gestora Mapa Capital tornou-se acionista de referência em agosto do ano passado, quando passou a deter 85,5% do capital da varejista.