
E-mails divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos na última sexta-feira (30) revelam que Jeffrey Epstein redigiu anotações para si mesmo envolvendo Bill Gates, bilionário cofundador da Microsoft, nas quais sugeria a existência de relações sexuais extraconjugais. As mensagens foram escritas em julho de 2013 e não há indicação de que tenham sido enviadas a Gates.
Nos textos, Epstein produziu registros em tom de diário pessoal pouco tempo depois de fracassar uma tentativa de intermediar um negócio entre a Fundação Gates e o JPMorgan Chase. O insucesso da negociação teria frustrado expectativas financeiras do financista, que via na operação uma possível fonte de renda recorrente.
Em um dos e-mails, Epstein afirmou que teria ajudado Gates a adquirir drogas “para lidar com as consequências do sexo com garotas russas”, sujerindo problemas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), e que teria facilitado encontros do empresário com mulheres casadas.
Em outra mensagem, o criminoso sexual condenado criticou Gates por “desconsiderar e descartar nossa amizade construída” ao longo de seis anos, acusando-o de abandoná-lo para preservar a própria reputação.
A divulgação dos documentos levou a uma reação imediata da Fundação Gates. Um representante da instituição declarou: “Essas alegações — vindas de um mentiroso comprovadamente ressentido — são absolutamente absurdas e completamente falsas. A única coisa que esses documentos demonstram é a frustração de Epstein por não ter um relacionamento contínuo com Gates e os extremos a que ele chegaria para armar uma cilada e difamá-lo”.

A relação entre Gates e Epstein tornou-se pública nos últimos anos e passou a ser alvo de questionamentos, sobretudo porque o contato entre os dois teve início por volta de 2011, depois que Epstein já havia sido condenado por aliciar uma menor para prostituição.
Em entrevista concedida em 2021 a Anderson Cooper, da CNN, Gates classificou o vínculo como “um grande erro” e afirmou que se encontrou com Epstein em algumas ocasiões na tentativa de angariar recursos para projetos filantrópicos.
O relacionamento com o financista também foi citado como um dos fatores que contribuíram para o divórcio de Gates e Melinda French Gates. À época, Melinda manifestou publicamente desconforto com a proximidade do ex-marido com Epstein, cuja imagem já estava profundamente associada a crimes sexuais.
Entre os documentos agora tornados públicos, há ainda um e-mail de 2013, com diversos erros de digitação, no qual Epstein escreveu que teria decidido renunciar a supostos cargos na Fundação Gates e no BG3, um think tank fundado por Gates.
Na mensagem, ele alegou estar “envolvido em grave disputa conjugal entre Melinda e Bill” e afirmou que Gates teria solicitado sua participação “de coisas que variavam do moralmente inapropriado ao eticamente questionável” e que “potencialmente ultrapassavam os limites da ilegalidade”.