Caso Epstein: como o ex-príncipe Andrew, preso hoje, tornou-se informante do Mossad 

Atualizado em 19 de fevereiro de 2026 às 11:59
O então príncipe Andrew em 2021. Foto: AP

A prisão do ex-príncipe Andrew, ocorrida em seu aniversário de 66 anos, marca um episódio sem precedentes na história recente da monarquia britânica. A detenção acontece após semanas de revelações envolvendo sua relação com o financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais.

O caso ganhou novo fôlego com a divulgação de milhões de documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos ligados a Epstein. Andrew, que perdeu seus títulos reais no ano passado e passou a ser identificado como Andrew Mountbatten-Windsor, sempre negou qualquer irregularidade.

O rei Charles III declarou “profunda preocupação” e afirmou que a lei deve seguir seu curso.

Suspeitas de material comprometedor nas mãos do Mossad

Um dos pontos mais explosivos surge em uma nova biografia escrita pelo historiador Andrew Lownie, intitulada “Entitled: The Rise and Fall of the House of York” (“A Ascensão e Queda da Casa de York”). O livro sustenta que material comprometedor envolvendo Andrew pode ter sido repassado a serviços de inteligência estrangeiros — entre eles o Mossad, serviço secreto de Israel.

Material comprometedor foi parar nas mãos de autoridades da Arábia Saudita e dos serviços de inteligência da Líbia, durante o regime de Muammar Gaddafi, segundo o livro.

Lownie atribui a informação a um documentário do jornalista canadense Ian Halperin, afirmando que as alegações foram “confirmadas” a Halperin por “muitas pessoas do círculo de Andrew”. Epstein teria se gabado de planejar vender segredos de Andrew ao Mossad.

Outras agências citadas

A biografia afirma ainda que suposto conteúdo sensível poderia ter chegado:

  • às autoridades da Arábia Saudita;
  • aos serviços de inteligência da Líbia, na época de Muammar Gaddafi;
  • e possivelmente à Rússia.

Sobre a Rússia, o livro menciona temores da inteligência britânica de que arquivos ligados à investigação de Epstein tenham sido levados para o país por John Mark Dougan, ex-agente da polícia da Flórida. Ele teria mantido contato com Pavel Borodin, descrito como próximo de Vladimir Putin. Dougan já foi citado pela BBC como divulgador de desinformação a partir do território russo.

Andrew e Epstein. Foto: Reprodução

Relação antiga com Epstein

Lownie sustenta que Andrew e sua ex-esposa, Sarah Ferguson, conheciam Epstein desde a década de 1990, antes da data oficialmente declarada pelo príncipe. O autor afirma que Epstein via em Andrew uma ponte para prestígio social, acesso político e oportunidades comerciais.

O livro também questiona as finanças do duque após a perda de funções oficiais, levantando dúvidas sobre a origem de recursos usados na manutenção do Royal Lodge e em transações financeiras controversas.