
Novos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelam que Andrew Mountbatten-Windsor, anteriormente conhecido como príncipe Andrew, convidou Jeffrey Epstein para jantar no Palácio de Buckingham em 2010, segundo trocas de e-mails incluídas nos arquivos da investigação americana. As mensagens reacendem o constrangimento em torno da relação do ex-integrante da família real britânica com o financista condenado por crimes sexuais.
Os e-mails mostram que Epstein sugeriu apresentar ao então Duque de York uma mulher russa de 26 anos, descrita como “inteligente, bonita e confiável”. Em resposta, Andrew escreveu que ficaria “encantado em vê-la” e perguntou se ela levaria alguma mensagem de Epstein. Em outro trecho, após saber que a mulher já tinha seu contato, reagiu: “Isso foi rápido!”. As mensagens são assinadas apenas com a inicial “A.”.
Em setembro daquele ano, outra troca indica que o encontro poderia ocorrer dentro da residência oficial da monarquia. “Alternativamente, poderíamos jantar no Palácio de Buckingham com muita privacidade”, escreveu Andrew. Epstein respondeu de forma direta: “BP [Buckingham Palace], por favor”. Especialistas afirmam que o teor das mensagens levanta questionamentos graves sobre o julgamento do ex-príncipe.

As revelações vieram a público meses depois de Charles III ter retirado de Andrew seus títulos e funções reais, numa tentativa de blindar a monarquia do desgaste contínuo causado pelo caso Epstein. Desde então, ele passou a ser tratado formalmente apenas como Andrew Mountbatten-Windsor.
Para o jurista Craig Prescott, da Royal Holloway, Universidade de Londres, a decisão de afastá-lo foi uma “opção nuclear” para proteger a instituição. “À medida que mais coisas vêm à tona, sentimos que eles estavam justificados”, afirmou. Segundo ele, os e-mails oferecem um retrato raro do comportamento de elites globais “atrás de portas muito luxuosas”.
Andrew nega ter cometido crimes e rejeita as acusações feitas por Virginia Giuffre, que afirmou ter sido forçada a manter relações sexuais com ele quando tinha 17 anos. Procurado para comentar a nova divulgação, o ex-príncipe não respondeu. Especialistas destacam que a presença de nomes ou imagens nos arquivos não equivale, por si só, à comprovação de ilegalidades, mas reforça o impacto reputacional do caso envolvendo Jeffrey Epstein.