
Promotores financeiros da Procuradoria Nacional Financeira da França realizaram buscas na filial parisiense do banco privado suíço Edmond de Rothschild como parte de uma investigação relacionada ao ex-diplomata Fabrice Aidan, citado em documentos ligados ao criminoso sexual americano Jeffrey Epstein.
As diligências ocorreram na sexta-feira passada em diversos locais, incluindo a unidade em Paris do banco. A apuração foi aberta no mês passado e investiga suspeitas de corrupção envolvendo um agente público estrangeiro, além de possível cumplicidade por parte de Aidan.
Jeffrey Epstein, que foi condenado por crimes sexuais, morreu em 2019 em uma prisão de Nova York enquanto aguardava julgamento por acusações federais de tráfico sexual. O caso ganhou novo fôlego após a divulgação de milhões de documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, no fim de janeiro.

A investigação francesa foi iniciada após encaminhamento do Ministério das Relações Exteriores e é conduzida pelo órgão central de combate à corrupção, crimes fiscais e financeiros do país. Parte das suspeitas surgiu a partir de reportagens do site investigativo Mediapart.
Segundo essas revelações, Fabrice Aidan teria fornecido materiais confidenciais da ONU a Jeffrey Epstein. O ex-diplomata nega qualquer irregularidade. Seu nome aparece em mais de 200 documentos, incluindo e-mails enviados entre 2010 e 2016, tanto de contas pessoais quanto institucionais, o que levantou suspeitas de compartilhamento de informações diplomáticas.
O impacto dos chamados “arquivos Epstein” já atingiu figuras de destaque na França. O ex-ministro da Cultura Jack Lang renunciou à presidência do Instituto do Mundo Árabe após a abertura de uma investigação preliminar por fraude fiscal, sendo até agora o nome mais relevante afetado pelas novas revelações.