Caso Marco Buzzi: esposa do ministro foi avisada do assédio pouco depois do fato

Atualizado em 7 de fevereiro de 2026 às 20:41
O ministro Marco Aurélio Buzzi, durante evento em Brasília. Foto: Emerson Leal

Os pais da jovem de 18 anos que acusa o ministro do STJ Marco Buzzi de importunação sexual relataram o episódio à esposa dele poucas horas após o ocorrido, segundo mensagens e depoimentos apresentados à Justiça e obtidos pela Folha de S.Paulo. O contato ocorreu no mesmo dia do suposto caso, registrado em 9 de janeiro, em Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina.

De acordo com as mensagens, a reação inicial da esposa do magistrado, Katcha Buzzi, foi de incredulidade. “Não sei o que dizer. Nunca imaginaria isso”, escreveu. Em outra mensagem, afirmou: “Está difícil, acabou com minha vida”. As conversas aconteceram em um grupo de mensagens mantido pelos dois casais, que tinham relação de amizade.

Segundo os depoimentos prestados à Polícia Civil de São Paulo, a jovem contou aos pais que teria sido agarrada e tocada pelo ministro ao sair do mar. Abalada, ela teria corrido para a casa onde estavam hospedados e relatado o ocorrido ao pai, que chamou a mãe. A família decidiu deixar o local imediatamente e seguir para o aeroporto.

Marcos Buzzi. Foto: Reprodução

O pai afirmou à polícia que a filha ficou “extremamente abalada, chorando de forma contínua e demonstrando desespero”. A mãe declarou que ajudou a jovem a se acalmar e a arrumar as malas, e que, ao sair, deu uma justificativa genérica. Ainda segundo ela, o ministro teria questionado se o problema era mesmo com a sogra ou “com a menina”.

Nove dias depois, Katcha Buzzi voltou a se manifestar por mensagens, colocando em dúvida o relato da jovem. Ela afirmou que a adolescente teria “problemas emocionais” e que o episódio “extrapolou o razoável”, além de declarar que, em décadas de convivência, “nunca ouvi ou soube de nada parecido” envolvendo o marido.

Em nota, Marco Buzzi afirmou que foi “surpreendido com o teor das insinuações” e negou qualquer conduta imprópria. Sua defesa pediu respeito ao devido processo legal e criticou tentativas de julgamento prévio. Após a repercussão, o ministro obteve licença médica, e o Superior Tribunal de Justiça informou que abriu uma sindicância para apurar o caso.