Caso Master abala imagem de Flávio Bolsonaro entre eleitores independentes, aponta Quaest

Atualizado em 4 de junho de 2026 às 8:04
O senador Flávio Bolsonaro. Foto: Divulgação

Pesquisas qualitativas realizadas pela Genial/Quaest em maio indicam que o caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro afetou a imagem do senador entre eleitores independentes. Com informações do Estadão.

Os levantamentos apontam que as revelações sobre o financiamento do filme “Dark Horse” reduziram a confiança de parte desse público no pré-candidato à Presidência, embora não tenham alterado o cenário de polarização que deve marcar a disputa eleitoral.

Os estudos acompanharam dois grupos distintos. Um deles reúne, desde agosto do ano passado, os mesmos 20 eleitores independentes. O outro foi formado por cinco grupos focais distribuídos por diferentes regiões do país.

Segundo a pesquisa, participantes que cogitavam votar em Flávio para derrotar o PT passaram a se declarar indecisos ou voltaram a considerar o presidente  Lula como alternativa eleitoral. Entre os entrevistados, o áudio em que o senador solicita recursos a Vorcaro foi classificado como uma “decepção” e uma “pouca vergonha”.

Um eleitor da região Sudeste afirmou: “(O áudio) foi uma bomba para mim. Só comprova que a gente precisa pensar muito antes de votar”. Já um participante de Santa Catarina declarou: “No Brasil, a gente se surpreende a cada dia e tem cada vez menos certeza do que vai decidir. Quando acha que vai para um lado, surge uma notícia. A princípio eu ia votar no Flávio, mas, depois desse áudio vazado, a gente não tem mais em quem acreditar”.

Os grupos também demonstraram desconforto com a forma como o senador conduziu o caso. Participantes relataram incômodo com o fato de o parlamentar ter negado inicialmente sua relação com o banqueiro.

O senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Foto: Divulgação

Um eleitor questionou: “Por que não falou logo sobre a relação com o Vorcaro? Então estava mentindo…”. Uma eleitora do Paraná afirmou que o episódio “queimou o filme” do parlamentar e acrescentou: “Ele já sabia que isso podia acontecer. Sabia que não estava imune”.

A visita de Flávio a Vorcaro também apareceu entre os temas debatidos nos grupos. Uma participante de Porto Alegre afirmou: “Você não vai visitar alguém preso se não for uma pessoa próxima ou se não tiver algum negócio sólido com ela. Impacta no meu voto, sim. É mais um motivo para eu não votar nele”.

De acordo com a coordenadora de pesquisas qualitativas da Quaest, Luciana Andrade, o episódio atingiu características que ajudavam a diferenciar o senador perante esse segmento do eleitorado. “Parte desse eleitor que depositou em Flávio uma esperança de renovação na política, de rompimento com práticas do que eles denominam como a velha política, ficou muito frustrada ao ouvir o áudio”, afirmou.

A pesquisadora também avaliou que o caso alterou a forma como parte dos eleitores compara os candidatos. Segundo ela, “o episódio fez com que, para esse eleitor independente, o Flávio Bolsonaro perdesse o discurso de combate à corrupção e se igualasse a Lula nesse quesito. Com isso, o eleitor independente passou, em vez de olhar para a corrupção como algo que diferencia, a comparar as entregas e as propostas de cada candidato”.

Além do desgaste enfrentado por Flávio, a pesquisa registrou boa receptividade a medidas recentes do governo federal entre os eleitores independentes. O programa Desenrola 2.0, a proposta de redução da jornada de trabalho associada ao debate sobre a escala 6×1 e o encontro de Lula com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foram citados positivamente.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.