Caso Master: Corinthians deixa de pagar fornecedores do estádio após liquidação da Reag

Atualizado em 31 de janeiro de 2026 às 9:49
Neo Quimica Arena, estádio do Corinthians. Foto: reprodução

A liquidação da gestora de fundos Reag Trust, decretada pelo Banco Central, provocou um impacto imediato na estrutura financeira que sustenta a Neo Química Arena, estádio do Corinthians, em Itaquera. Com a intervenção, as contas do Arena Fundo de Investimento Imobiliário (FII), até então administrado pela Reag, ficaram bloqueadas, interrompendo pagamentos a fornecedores responsáveis pela operação do estádio.

O fundo imobiliário estava sob gestão da Reag Trust, que teve bens bloqueados após decisão do Banco Central em 15 de janeiro. A gestora é investigada pela Polícia Federal por integrar um esquema de fundos inflados artificialmente, ligados a operações do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.

A paralisação foi confirmada pelo diretor financeiro do Corinthians, Emerson Piovesan. “O ponto sensível no momento, em razão da liquidação da Reag, é a impossibilidade de movimentação das contas do fundo, o que impacta temporariamente o pagamento de fornecedores desde o dia 14/01”, afirmou à Folha de S.Paulo. O dirigente não detalhou o volume financeiro envolvido nem quantos prestadores de serviço foram afetados.

Segundo Piovesan, a situação tende a ser resolvida com a nomeação de um novo gestor para o fundo da arena. Embora ainda não haja definição formal, a expectativa é de que a função seja assumida pelo Grupo Planner, que adquiriu a Companhia Brasileira de Serviços Financeiros (Ciabrasf), antiga administradora de fundos ligada à Reag.

“O clube está atuando de forma ativa para solucionar essa questão e, paralelamente, adotando todas as medidas necessárias para a substituição do gestor e do administrador do fundo”, disse.

O Arena FII foi estruturado para captar recursos de investidores e viabilizar a construção do estádio. Em contrapartida, o fundo detém os direitos econômicos da arena, como bilheteria, camarotes, cadeiras especiais, ingressos de temporada, eventos, publicidade, estacionamento e naming rights, usando essas receitas para remunerar cotistas e pagar a dívida da obra.

Na prática, o Corinthians atua como operador do negócio. O clube comercializa ingressos, administra partidas, eventos e serviços, arrecada os valores e repassa posteriormente ao fundo. Com a saída da Reag, o Arena FII ficou temporariamente sem gestor autorizado a assinar atos administrativos ou efetuar transferências, o que travou os pagamentos.

Entrada do banco Reag. Foto: Miguel Schincariol/AFP

Apesar disso, Piovesan afirma que a operação do estádio segue normalmente. “Atualmente, a arena encontra-se em plena operação, não havendo, no horizonte do clube, qualquer cenário que indique a interrupção de suas atividades”, declarou.

Ele também garantiu que os jogos do time profissional não serão afetados. “Toda a operação dos jogos é realizada pelo próprio clube, incluindo a arrecadação de bilheteria e o pagamento das respectivas despesas”, afirmou.

O balanço mais recente do Arena FII aponta R$ 99,6 milhões em “receitas operacionais a receber” do Sport Club Corinthians Paulista. Esses valores refletem o descompasso temporal entre arrecadação e repasse. Quando o repasse não ocorre, o montante é registrado como crédito do fundo, o que afeta diretamente os cotistas, e não o caixa imediato do clube.

Em nota divulgada em 16 de janeiro, o Corinthians informou que, desde agosto de 2025, após a deflagração da Operação Carbono Oculto, iniciou “tratativas para a substituição da administradora e da gestora do fundo, em conjunto com a Caixa Econômica Federal”.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.