Caso Master: decisões de Toffoli reduzem tensão no STF, avalia governo

Atualizado em 30 de janeiro de 2026 às 13:30
O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. Foto: Andre Borges/Metrópoles

Integrantes do governo do presidente Lula avaliaram como positivas duas decisões recentes do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no caso do Banco Master. A leitura interna é de que a liberação do sigilo dos depoimentos e a admissão do envio do processo à primeira instância ajudam a reduzir a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal.

Segundo relatos ouvidos pelo jornal O Globo, essas iniciativas tendem a arrefecer questionamentos dirigidos à Corte e ao próprio magistrado. Um auxiliar de Lula afirma que decisões mais alinhadas a procedimentos tradicionais contribuem para conter críticas e estabilizar o ambiente institucional.

O presidente demonstrava incômodo com a condução do Supremo no episódio da liquidação do banco, especialmente com Toffoli. A avaliação no Planalto era de que contestar decisões técnicas poderia gerar instabilidade e prejudicar a imagem das instituições.

O presidente Lula. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

No início de dezembro, após a decretação de sigilo absoluto no processo, Lula almoçou com Toffoli na Granja do Torto, encontro fora da agenda oficial e com a presença do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ao final, o presidente disse ao magistrado: “Você tem agora a chance de reescrever a sua biografia”, conforme revelou o colunista Lauro Jardim.

A divulgação dos vídeos dos depoimentos trouxe mais detalhes das versões apresentadas por Daniel Vorcaro, dono do banco, pelo presidente afastado do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, e pelo diretor de Fiscalização do Banco Central do Brasil, Ailton Aquino, que não é investigado.

Nos registros, Vorcaro e Costa apresentam versões divergentes sobre a origem das carteiras de crédito adquiridas pelo banco público a partir de 2025. Vorcaro afirmou que o BRB sabia que parte dos créditos vinha de outra empresa, a Tirreno, enquanto Costa negou e disse que sempre entendeu que os ativos tinham origem no próprio Master, com dúvidas surgindo apenas posteriormente.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.