Caso Master: ex-presidente do Rioprevidência é preso após voltar dos EUA

Atualizado em 3 de fevereiro de 2026 às 12:59
O ex-presidente da Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes. Foto: Divulgação

O ex-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, foi preso nesta terça (3) em uma ação conjunta da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. A prisão ocorreu em Itatiaia, no Sul do Rio de Janeiro, após o ex-dirigente retornar dos Estados Unidos.

Segundo as autoridades, Deivis desembarcou no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, alugou um carro e seguia viagem para o Rio de Janeiro quando foi interceptado pela PRF. Ele foi encaminhado à delegacia da Polícia Federal em Volta Redonda e deve ser transferido para a capital fluminense.

Deivis deixou a presidência do Rioprevidência no dia 23 de janeiro, após a deflagração de uma operação da Polícia Federal que apura suspeitas de gestão fraudulenta, desvio de recursos e corrupção no fundo previdenciário dos servidores do estado do Rio de Janeiro. As investigações envolvem aplicações financeiras realizadas no Banco Master.

Durante a gestão de Deivis e de outros dois ex-diretores, o Rioprevidência investiu quase R$ 1 bilhão em letras financeiras emitidas pelo Banco Master. Esses títulos são considerados de alto risco e não contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, o que aumentou a exposição do patrimônio previdenciário.

A sede do Banco Master em São Paulo. Foto: Maria Isabel Oliveira/Agência O Globo

De acordo com a Polícia Federal, as investigações se concentram em nove operações realizadas entre 2023 e 2024 que colocaram em risco os recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de cerca de 235 mil servidores públicos do estado do Rio de Janeiro.

Os aportes do Rioprevidência no Banco Master já vinham sendo questionados há mais de um ano pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). Em outubro de 2025, o tribunal proibiu novos investimentos do fundo em títulos administrados pelo banco e alertou para indícios de gestão irresponsável dos recursos públicos.

Em nota, a Polícia Federal afirmou que as operações financeiras “expuseram o patrimônio da autarquia a risco elevado e incompatível com sua finalidade”. Segundo a corporação, aproximadamente R$ 970 milhões foram aplicados em letras financeiras do banco privado entre novembro de 2023 e julho de 2024.

O Banco Master está em liquidação extrajudicial desde novembro, após o Banco Central apontar insolvência e indícios de fraude. A Polícia Federal investiga suspeitas de gestão fraudulenta, emissão de créditos falsos e lavagem de dinheiro envolvendo a instituição.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.