Caso Master: oitivas da PF avançam e Corte decide destino do inquérito

Atualizado em 26 de janeiro de 2026 às 5:40
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

A Polícia Federal retomará nesta semana os depoimentos do inquérito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades em operações financeiras e na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Oito investigados serão ouvidos, quatro nesta segunda-feira (26) e quatro na terça-feira (27).

As oitivas ocorrem sob supervisão do Supremo Tribunal Federal, onde o procedimento é relatado pelo ministro Dias Toffoli. A expectativa é que os relatos e a análise das provas colhidas orientem os próximos passos da apuração e a definição sobre a permanência do caso na Corte ou o retorno à primeira instância.

O inquérito foi remetido ao STF após a apreensão, em busca autorizada, de um contrato que envolvia o deputado Bacelar (PL-BA) e o banqueiro Daniel Vorcaro, o que acionou a prerrogativa de foro. A apuração segue concentrada nas ações e relações do controlador do Banco Master. Na semana passada, a Polícia Federal apontou participação mínima do parlamentar, o que abre a possibilidade de declínio de competência e o envio do caso de volta à primeira instância.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli, durante sessão do STF. Foto: Ton Molina/STF

O Banco Master atravessou crise financeira e foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro do ano passado. No mesmo período, o BRB teve a direção substituída por determinação judicial.

Nesta segunda-feira (26), prestam depoimento Dário Oswaldo Garcia Junior, ex-diretor de Finanças e Controladoria do BRB; André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor de empresa investigada; Henrique Souza e Silva Peretto, empresário ligado à empresa que originou carteiras negociadas; e Alberto Felix de Oliveira, superintendente-executivo de Tesouraria do Master.

Na terça-feira (27), serão ouvidos Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de Operações Financeiras do BRB; Luiz Antonio Bull, diretor de Riscos, Compliance, RH e Tecnologia do Master; Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do banco; e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio.

Os investigadores apuram supostos crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa na venda de carteiras de crédito consideradas “insubsistentes” do Master ao BRB, em operações que somam pouco mais de R$ 12 bilhões.

As oitivas tratam das provas reunidas nas duas fases da Compliance Zero, deflagradas em novembro de 2025 e janeiro deste ano. No fim de 2025, Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa já haviam prestado depoimento, assim como o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, que não é investigado.

O caso também reúne informações sobre contatos institucionais. Vorcaro declarou ter conversado com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sobre a venda do banco; o governador confirmou encontros, mas afirmou que o tema não foi tratado. Em nota recente, o presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que a supervisão judicial do inquérito segue em curso no âmbito da Corte.