Caso Master: os bastidores da reunião que selou a saída de Toffoli da relatoria

Atualizado em 12 de fevereiro de 2026 às 22:15
O ministro Dias Toffoli

Na manhã de 12 de fevereiro de 2026, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se reuniram por cerca de duas horas e meia para decidir o futuro do processo envolvendo o Banco Master e o ministro Dias Toffoli. Com informações de Carolina Brígido, no Estadão.

O encontro, que aconteceu em clima tenso, foi convocado para discutir as implicações de um relatório da Polícia Federal que mencionava Toffoli em conversas com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, indicando possíveis crimes relacionados ao caso. A reunião foi marcada pela pressão sobre a imagem da Corte e o temor de um aumento das críticas, especialmente em ano eleitoral.

Logo no início do encontro, o presidente do STF, Edson Fachin, destacou as menções ao nome de Toffoli no relatório da PF e sugeriu que a relatoria fosse transferida para evitar maiores desgastes. A decisão não foi contestada por nenhum dos ministros presentes, e todos concordaram em que o ministro Toffoli deveria se afastar do caso. Em um movimento estratégico, a saída de Toffoli visava acalmar os ânimos e distensionar as pressões políticas que se intensificaram devido à proximidade do pleito de 2026.

Durante a reunião, não houve resistência por parte de Toffoli à decisão de seus colegas. De acordo com relatos de ministros presentes, o afastamento do ministro foi visto como uma forma de garantir a imparcialidade do Supremo e preservar a credibilidade da instituição. O colegiado sublinhou que todos os atos praticados por Toffoli no caso Master até aquele momento seriam mantidos, preservando a validade das decisões tomadas enquanto ele ainda estava à frente da relatoria.

Outro ponto discutido na reunião foi a possibilidade de a decisão sobre a suspeição de Toffoli ser vista como um precedente importante, lembrando o caso do ex-juiz Sérgio Moro, que teve decisões anuladas pelo STF quando foi considerado parcial em processos da Lava Jato. A ideia era evitar que qualquer dúvida sobre a imparcialidade do ministro colocasse em risco a legitimidade do processo e das ações já realizadas.

Dias Toffoli não é mais relator do caso Master. Foto: reprodução

Além disso, os ministros reafirmaram a importância de se preservar a imagem institucional do Supremo, que vem enfrentando críticas desde a Operação Lava Jato. A pressão para que Toffoli se afastasse do caso refletiu o desejo de evitar mais controvérsias no momento em que o Brasil se aproxima de um período eleitoral decisivo. A opinião interna no STF era de que a mudança de relatoria ajudaria a suavizar as tensões e a evitar um agravamento da situação.

Apesar da decisão de afastamento, Toffoli não foi considerado suspeito ou impedido de atuar em outros casos. O STF optou por um processo regimental em que a transferência do caso foi feita sem uma declaração formal de parcialidade. Isso significou que o afastamento não implicaria em uma condenação pública do ministro, mas sim numa medida estratégica para garantir a continuidade do processo sem que a imparcialidade fosse questionada.

Nos bastidores, o clima de cooperação entre os ministros foi considerado positivo, uma vez que todos estavam cientes da necessidade de agir rapidamente para proteger a imagem do STF. A decisão de Toffoli de se afastar voluntariamente foi vista como uma forma de minimizar o impacto das investigações sobre sua relação com o Banco Master, garantindo que o foco não fosse desviado para questões pessoais.

Por fim, o caso Master continuará sendo investigado, agora sob a relatoria de um novo ministro, e a expectativa é de que a Corte siga de perto o desdobramento dos acontecimentos, sem que haja mais controvérsias envolvendo seus membros. A decisão de ontem reflete a constante tentativa do Supremo de manter sua independência e credibilidade, em um cenário político marcado por pressões e polarização.