Caso Master: PF apreende 52 celulares, mas não envia conteúdo ao STF

Atualizado em 23 de fevereiro de 2026 às 14:55
Polícia Federal durante a operação Compliance Zero. Foto: Divulgação

A Polícia Federal apreendeu 52 celulares nas duas fases da operação Compliance Zero, mas não enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o conteúdo dos aparelhos. A primeira fase da ação foi deflagrada em novembro passado.

O caso tramita no STF por envolver autoridade com foro especial. Dias Toffoli foi relator até 12 de fevereiro de 2026, sucedido por André Mendonça. Nenhum dos dois teve acesso detalhado ao material extraído dos dispositivos apreendidos.

A PF já produziu relatório de cerca de 200 páginas citando possíveis contatos entre Toffoli e pessoas ligadas ao banco. O documento foi rejeitado em reunião reservada dos ministros do Supremo, que o classificaram como “lixo jurídico”.

Os magistrados entenderam que houve extrapolação de competência, já que investigações envolvendo autoridades com foro exigem autorização judicial. O relatório sugeria proximidade entre Toffoli e Daniel Vorcaro, fundador do Master, mas não apontava ilícitos.

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: Reprodução

Na primeira fase da operação, sete pessoas foram presas e 13 celulares apreendidos. Entre eles, dois pertenciam a Vorcaro, que não forneceu as senhas. Quatro aparelhos de ex-executivos do BRB foram entregues com acesso completo, mas o conteúdo também não foi compartilhado com o STF.

Na segunda etapa, em janeiro de 2026, a PF apreendeu mais 39 celulares, além de computadores, armas e valores. Houve bloqueio de bens superiores a R$ 5,7 bilhões. Entre os alvos estavam familiares e aliados de Vorcaro.

O Banco Master, assim como o Will Bank e o Banco Pleno, foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central. As investigações incluem suspeitas de gestão fraudulenta, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.