Caso Master: PF cria inquérito para investigar influenciadores por ataques ao BC

Atualizado em 28 de janeiro de 2026 às 15:19
Banco Master. Foto: Reprodução

A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar denúncias de que influenciadores digitais foram pagos para atacar o Banco Central do Brasil após a liquidação extrajudicial do Master. As postagens questionavam a decisão da autarquia, tomada em novembro do ano passado, e levantavam suspeitas de uma ação coordenada nas redes sociais.

A liquidação do Banco Master ocorreu depois de uma operação da própria PF contra o controlador da instituição, Daniel Vorcaro, e outros integrantes da diretoria, investigados por supostas fraudes financeiras. Nesta semana, a Justiça iniciou a fase de depoimentos dos investigados no processo.

A abertura do inquérito foi autorizada pelo relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Dias Toffoli. Segundo apuração preliminar, a PF identificou indícios de possíveis crimes em postagens publicadas após a intervenção no banco e solicitou autorização para aprofundar as investigações.

Polícia Federal durante a operação Compliance Zero. Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

Produtores de conteúdo relataram que foram procurados para gravar vídeos sustentando a tese de que a liquidação do Master teria sido “precipitada”. As abordagens teriam ocorrido em dezembro e incluíam propostas de contratos com duração de três meses, prevendo a publicação de até oito postagens mensais.

O caso veio a público após os influenciadores Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite afirmarem que receberam ofertas para divulgar narrativas favoráveis ao banco. Outros influenciadores ouvidos relataram propostas semelhantes, com valores e formatos parecidos, voltados à crítica direta ao Banco Central.

Levantamento da GloboNews identificou, no mesmo período, publicações com discurso semelhante feitas por perfis que, juntos, somam mais de 36 milhões de seguidores no Instagram. A PF pretende apurar se houve pagamento, coordenação entre os conteúdos e eventual tentativa de pressionar ou deslegitimar a atuação do Banco Central.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.