Caso Master: PF investiga contratação de influenciadores para ataques ao BC

Atualizado em 7 de janeiro de 2026 às 23:43
Sede da Polícia Federal, em Brasília
Sede da Polícia Federal, em Brasília – Divulgação

A Polícia Federal investiga se influenciadores digitais foram contratados para atacar, de forma coordenada, autoridades e instituições envolvidas na liquidação do Banco Master. O inquérito tem como foco principal o Banco Central e seus diretores, além de apurar se perfis nas redes sociais receberam pagamento para impulsionar publicações sobre o tema. Com informações do jornal O Globo.

Os investigadores também buscam identificar a origem dos recursos e eventuais intermediários entre anunciantes e criadores de conteúdo.

A apuração ocorre após relatos de influenciadores que disseram ter recebido propostas para publicar mensagens críticas à liquidação do Banco Master. Segundo reportagem publicada na quarta-feira, dois perfis de direita afirmaram que agências os procuraram para difundir a versão de que o Banco Central teria sido precipitado ao decretar a liquidação.

Rony Gabriel, vereador do PL em Erechim (RS), com 1,4 milhão de seguidores, e Juliana Moreira Leite, conhecida como @jliemilk, também com 1,4 milhão de seguidores, relataram ter recusado as propostas.

Influenciadores Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite. Foto: Reprodução

Além das investigações da PF, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que avalia um volume considerado atípico de publicações nas redes sociais, no fim de dezembro, envolvendo a entidade e o Banco Master.

As mensagens circularam em meio ao noticiário sobre a liquidação do banco. Naquele período, a Febraban divulgou, com outras associações do setor financeiro, uma nota pública em defesa da atuação do Banco Central e da preservação da autoridade técnica da instituição.

Em nota, a entidade afirmou que analisa se as postagens se enquadram como ataque coordenado e destacou que, nos últimos dias, houve redução significativa do volume de publicações monitoradas. O documento publicado à época contou com assinaturas da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Associação Nacional das Instituições de Crédito (Acrefi), Zetta, que representa empresas de meios de pagamento, e da Confederação Nacional das Instituições Financeiras (CNF).

A PF deve ouvir influenciadores, representantes de agências e integrantes das entidades do sistema financeiro mencionadas nas publicações. A investigação também pretende mapear impulsionamentos, contratos publicitários e possíveis financiadores. A liquidação do Banco Master e as reações nas redes sociais seguem no centro das apurações.

Jessica Alexandrino
Jessica Alexandrino é jornalista e trabalha no DCM desde 2022. Sempre gostou muito de escrever e decidiu que profissão queria seguir antes mesmo de ingressar no Ensino Médio. Tem passagens por outros portais de notícias e emissoras de TV, mas nas horas vagas gosta de viajar, assistir novelas e jogar tênis.