
O relatório da Polícia Federal entregue ao Supremo Tribunal Federal (STF) aponta indícios de crimes envolvendo o ministro Dias Toffoli, relacionados ao caso Master. O documento, que foi submetido ao presidente da Corte, Edson Fachin, revela informações sobre a conexão de Toffoli com o Banco Master, incluindo transações financeiras questionáveis. O relatório sugere que o ministro pode ter cometido infrações enquanto atuava na relatoria da Reclamação n. 88.121, que investiga o banco.
A entrega da informação pela PF foi realizada com base no artigo 33 da Lei Orgânica da Magistratura (Loman), que permite o envio de documentos ao tribunal caso haja suspeita de crimes por parte de magistrados. A investigação foi inicialmente fundamentada nas mensagens trocadas entre o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e seu cunhado, Fabiano Zettel. Esses diálogos indicam pagamentos à empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio. No entanto, o ministro nega qualquer irregularidade e afirmou que sempre atuou dentro da legalidade.
Em resposta ao relatório, Toffoli refutou a acusação e afirmou não ter recebido valores de Vorcaro ou Zettel, apesar das evidências levantadas pela Polícia Federal. A PF também identificou transações financeiras suspeitas realizadas por familiares de Toffoli, o que provocou uma análise mais aprofundada sobre a imparcialidade do ministro em conduzir o caso Master. Fachin, presidente do STF, decidiu abrir uma arguição de suspeição, um procedimento que poderia resultar no afastamento de Toffoli da relatoria.
O caso tem gerado críticas à condução do processo e ao possível envolvimento de Toffoli em negociações financeiras com envolvidos no escândalo do Banco Master. No entanto, o STF, após uma reunião interna, decidiu que o processo seria redistribuído para um novo relator, afastando Toffoli dessa incumbência.

Com a reviravolta no caso Master, o STF enfrenta pressões para esclarecer os vínculos de seus membros com interesses privados. A investigação levanta questões sobre a relação entre o judiciário e grandes grupos financeiros, além de evidenciar o poder das investigações da Polícia Federal em confrontar figuras de alto escalão. A decisão de redistribuir o processo, embora tenha sido tomada internamente pelo Supremo, reflete uma tentativa de preservar a imagem da instituição.
O relatório ainda aponta para uma série de outros elementos, como movimentações financeiras atípicas e a falta de transparência em alguns processos envolvendo a compra de propriedades. Toffoli e sua defesa continuam a negar qualquer envolvimento em atividades ilícitas, mas a situação continua a evoluir, com novos desdobramentos aguardados.