Caso Master: Toffoli descarta se declarar impedido no processo

Atualizado em 19 de janeiro de 2026 às 13:17
O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. Foto: Rosinei Coutinho/STF

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), não considera a possibilidade de se declarar impedido para relatar o processo envolvendo o Banco Master. Segundo interlocutores da Corte ouvidos pela CartaCapital, a hipótese é vista como “fora do radar” pelo próprio magistrado, apesar do aumento das críticas à sua atuação no caso.

A controvérsia ganhou força após a divulgação de que Toffoli viajou em um jatinho particular ao lado de um advogado ligado a Daniel Vorcaro, controlador do banco. A viagem ocorreu pouco depois de o ministro ter determinado sigilo rigoroso sobre o processo. Reportagens também apontaram vínculos profissionais entre familiares do magistrado e a instituição financeira.

Além disso, Toffoli passou a ter atritos com a Polícia Federal. Em uma das decisões, após autorizar buscas e apreensões, ele determinou que todo o material recolhido fosse lacrado e encaminhado à Procuradoria-Geral da República, impedindo a análise imediata pela PF.

A medida chamou atenção dentro do próprio sistema de Justiça, já que a Polícia Federal é o órgão que detém a tecnologia necessária para acessar aparelhos eletrônicos apreendidos. Mesmo assim, aliados relatam que o ministro “segue trabalhando normalmente”, embora reconheçam, de forma reservada, que o volume de questionamentos tem impacto político e institucional.

Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master. Foto: Divulgação

Apesar disso, integrantes do tribunal avaliam que pedidos formais de suspeição ainda podem ser apresentados. Caso isso ocorra, caberá à Presidência do STF decidir sobre os próximos passos. Os ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes, que se alternam na presidência da Corte, acompanham o caso sem manifestações públicas.

A investigação tem origem na Operação Compliance Zero. No fim de novembro de 2025, a defesa de Daniel Vorcaro pediu ao Supremo que o inquérito, então sob responsabilidade da 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal, fosse remetido ao STF.

Os advogados alegaram que, durante as buscas, surgiram documentos com menções a autoridades com foro por prerrogativa de função. O processo foi redistribuído por sorteio a Dias Toffoli que, no mesmo dia, determinou a imposição de sigilo integral sobre os autos.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.