Caso Master: Toffoli resistiu, mas foi convencido a deixar relatoria

Atualizado em 13 de fevereiro de 2026 às 11:16
O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. Foto: Rosinei Coutinho/STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli demonstrou resistência antes de decidir deixar a relatoria do inquérito que investiga fraudes bilionárias no Banco Master. Durante uma reunião com os colegas, ele inicialmente questionou a necessidade de se afastar do caso, mas, com o andamento da conversa, foi se convencendo de que essa seria a melhor decisão para diminuir o desgaste da Corte e preservar os atos já realizados nas investigações da Polícia Federal, segundo o Blog do Camarotti o g1.

A saída de Toffoli da relatoria preserva os atos do inquérito que foram conduzidos até aquele momento, e o novo relator, André Mendonça, será responsável por tomar novas decisões no caso. Apesar da resistência inicial, o magistrado entendeu que sua permanência à frente da relatoria estava prejudicando a imagem do STF e não estava valendo a pena.

De acordo com relatos de um ministro presente na reunião, Toffoli chegou a afirmar que estava atendendo todos os pedidos da Polícia Federal, mas o desgaste só aumentava. Ele reconheceu que o impacto negativo não estava afetando apenas sua imagem, mas a do STF como um todo, devido à divulgação das relações de seus familiares com fundos ligados ao Banco Master.

O presidente do STF, Edson Fachin, leu trechos do relatório da Polícia Federal que mencionavam Toffoli em conversas extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O miistro respondeu a cada ponto levantado pela PF, mas decidiu que sua saída seria o melhor caminho.

Fachada do prédio do Banco Master, no Itaim Bibi, em São Paulo. Foto: Maria Isabel Oliveira/Agência O Globo

O encontro foi marcado por uma avaliação unânime entre os ministros de que a situação estava prejudicando a Corte. A ideia de que Toffoli deveria se afastar foi fortalecida durante a reunião, pois essa saída poderia aliviar a pressão sobre o STF e permitir que o processo seguisse sem mais complicações.

Ainda assim, a decisão de Toffoli não foi fácil. O ministro entendeu que deixar a relatoria seria um ato necessário para preservar a integridade do STF e evitar um desgaste prolongado, que poderia afetar ainda mais a imagem da Corte perante a opinião pública.

Os ministros do STF também discutiram que, caso Toffoli tivesse uma declaração de suspeição, isso poderia abrir um precedente indesejado.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.