
Novos elementos podem mudar o rumo da apuração sobre a morte do cão comunitário Orelha, caso que gerou forte comoção em Florianópolis. Imagens inéditas obtidas durante a investigação indicam que um dos adolescentes suspeitos estava acompanhado de outra jovem na orla da Praia Brava no mesmo dia em que o animal foi encontrado gravemente ferido, em 4 de janeiro.
Os registros, exibidos pelo programa “Domingo Espetacular”, mostram os dois adolescentes circulando pela beira da praia na data em que ocorreu a suposta agressão. O material foi incorporado ao inquérito policial e passou a ser analisado como parte da investigação sobre os atos infracionais atribuídos aos jovens envolvidos.
Segundo a Polícia Civil, as imagens já estão sob análise e a jovem que aparece ao lado do adolescente foi convocada para prestar depoimento como testemunha. A expectativa dos investigadores é que o relato contribua para esclarecer a dinâmica dos fatos e ajude a definir o grau de participação de cada envolvido no episódio.
A delegacia responsável informou que pretende concluir na próxima semana a perícia do conteúdo extraído dos celulares apreendidos durante a investigação. O trabalho inclui o cruzamento de dados das mídias digitais com depoimentos já colhidos, o que pode fornecer uma linha do tempo mais precisa do que ocorreu na Praia Brava naquele dia.
De acordo com a Polícia Civil, Orelha, também conhecido como Preto, foi agredido em 4 de janeiro. O cachorro, que vivia de forma comunitária na região, foi encontrado agonizando por frequentadores da praia e apresentava ferimentos considerados extremamente graves.
O animal foi encaminhado a uma clínica veterinária, mas, devido à severidade das lesões, precisou ser submetido à eutanásia no dia seguinte, 5 de janeiro. O laudo aponta lesão grave na cabeça, especialmente no lado esquerdo, além de inchaço intenso, sangramento pelo nariz e pela boca e indícios de fraturas na mandíbula e no maxilar.
Diante da violência dos ferimentos, a polícia passou a tratar o caso como agressão de extrema crueldade. Inicialmente, quatro adolescentes foram apontados como suspeitos. Um deles apresentou provas de que não estava no local no momento da agressão e foi retirado da investigação.
Outros dois jovens, que haviam viajado para a Disney, nos Estados Unidos, retornaram ao Brasil na quinta-feira (29) e foram alvos de mandados de busca e apreensão.
Além da morte de Orelha, a Polícia Civil apura a possibilidade de outra agressão contra um cachorro na mesma região da Praia Brava. Informações que possam colaborar com as investigações podem ser repassadas de forma anônima pelo Disque-Denúncia, no telefone 181.