Casos de sarampo disparam nos países-sede da Copa e deixam Brasil em alerta

Atualizado em 6 de maio de 2026 às 14:57
Vacina contra o sarampo. Foto: Divulgação

Os altos números de sarampo registrados nos países que sediarão a Copa do Mundo de 2026 têm provocado preocupação entre entidades médicas brasileiras e o Ministério da Saúde. O temor das autoridades é que o fluxo intenso de turistas durante o torneio favoreça a importação de novos casos para o Brasil, hoje considerado livre da doença.

O México concentra o maior número de infecções no continente. Até a primeira quinzena de abril, o país contabilizava 9.207 casos, superando com folga os 6.152 registrados durante todo o ano passado. Em 2024, haviam sido apenas sete ocorrências. O crescimento acelerado colocou o país no centro das atenções sanitárias às vésperas do Mundial.

O Canadá também enfrenta avanço da doença. O país perdeu o status de livre do sarampo após registrar 5.062 casos em 2025. Neste ano, já soma 871 confirmações. Nos Estados Unidos, foram contabilizados 2.144 casos em 2025 e outros 1.730 em 2026 até agora.

Enquanto os países-sede acumulam milhares de registros, o Brasil mantém números baixos. Em 2025, foram 38 casos confirmados no país. Neste ano, o Ministério da Saúde registrou apenas três infecções.

Especialistas avaliam, porém, que a realização da Copa pode aumentar o risco de reintrodução do vírus. O sarampo é transmitido pelo ar e pode permanecer em suspensão por horas em ambientes fechados, o que amplia a possibilidade de disseminação em aeroportos, aviões e locais de grande circulação.

Pessoa com sarampo. Foto: Divulgação

A pediatra Flávia Bravo, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, afirmou que ainda existem brechas na cobertura vacinal brasileira, principalmente entre adultos. “A gente recuperou a cobertura vacinal, que vinha em queda, mas esses cálculos são feitos com crianças. Há algum grau de pessoas adultas sem o esquema vacinal completo, e são majoritariamente essas pessoas que vão à Copa”, explicou.

Segundo a especialista, o retorno simultâneo de viajantes infectados para diferentes regiões pode dificultar a atuação da vigilância epidemiológica. “Graças à nossa vigilância, a gente vem de anos com casos apenas importados. Porém, se várias pessoas retornam ao país com o vírus incubado e se distribuem para diferentes regiões, isso torna muito mais difícil a identificação pela vigilância, e pode resultar em surtos locais, que são o começo das epidemias”, afirmou.

O Ministério da Saúde publicou no fim de abril uma nota técnica alertando para o risco elevado de reintrodução do sarampo no Brasil. O documento cita surtos ativos em países vizinhos, fluxo contínuo de viajantes e brasileiros não vacinados como fatores de preocupação.

Atualmente, a cobertura vacinal está em 92% para a primeira dose e 78% para a segunda, abaixo dos 95% recomendados pela OMS. A Organização Pan-Americana da Saúde também pediu que os países reforcem suas campanhas de imunização após a disparada de casos nas Américas.

Em 2025, foram registrados 14.767 casos em 13 países, quase 32 vezes mais do que no ano anterior. Em 2026, até 5 de abril, mais de 15,3 mil casos já haviam sido confirmados no continente.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.