
O governo Lula permanece cauteloso após a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar o tarifaço imposto por Donald Trump, com membros do Planalto apontando que é “cedo para comemorar”. A medida, tomada na sexta (20), pode impactar a relação comercial entre Brasil e EUA, mas auxiliares do governo acreditam que ainda é incerto como essa decisão afetará diretamente o país, segundo o Metrópoles.
O Brasil foi um dos países mais prejudicados pelo tarifaço de Trump, que impôs taxas de até 50% sobre produtos exportados para os Estados Unidos. Essas tarifas afetaram vários setores da economia brasileira, forçando o governo a abrir rodadas de negociação para reverter ou minimizar os impactos econômicos.
A decisão da Suprema Corte pode, portanto, trazer alívio, mas o governo prefere adotar uma postura cautelosa diante de uma situação ainda em evolução. Apesar do otimismo de alguns setores, os auxiliares do governo brasileiro reconhecem que é cedo para avaliar os efeitos da decisão, principalmente em relação ao encontro entre o presidente Lula e Trump, previsto para o próximo mês.
Não está claro se a mudança nas tarifas influenciará diretamente esse encontro e as discussões comerciais que podem ocorrer durante a reunião. A decisão da Suprema Corte, tomada por 6 votos a 3, concluiu que Trump extrapolou sua autoridade ao aumentar as tarifas sem a devida autorização do Congresso.

O presidente do tribunal, John Roberts, redigiu o parecer, indicando que, segundo a Constituição dos EUA, apenas o Congresso pode criar e cobrar impostos e tarifas sobre importações. Isso limita o poder do presidente de impor tarifas sem a aprovação legislativa.
A ação que resultou na decisão foi movida por empresas afetadas pelas tarifas e por 12 estados americanos, a maioria governada por democratas. A derrubada das tarifas pode ter repercussões significativas não apenas para os Estados Unidos, mas também para países como o Brasil, que foram diretamente impactados por essas taxas comerciais.
Com essa decisão, a Suprema Corte dos EUA estabelece um precedente: as tarifas não podem ser impostas unilateralmente pelo presidente sem respaldo do Congresso. A medida pode afetar outras nações com acordos comerciais e redefinir o poder executivo em questões econômicas de grande escala.