
O assessor especial da Presidência e ex-chanceler Celso Amorim afirmou que Donald Trump respeitará o resultado eleitoral caso o presidente Lula (PT) vença o segundo turno. A declaração ocorre a três dias da votação, em meio à preferência do presidente estadunidense por Flávio Bolsonaro (PL).
“Acho que o presidente Trump vai respeitar. Não significa que vai sair correndo para reconhecer e dizer ‘que bom’, mas vai respeitar na prática”, disse Amorim em entrevista à Folha de S.Paulo. Para ele, Trump pode ter preferência por outro candidato, mas mantém respeito por Lula.
O Departamento de Estado dos Estados Unidos declarou recentemente que apoia o direito dos brasileiros a eleições livres e justas. O órgão, porém, não assumiu de forma expressa o compromisso de reconhecer o processo eleitoral brasileiro, como pediram parlamentares democratas.
Trump não declarou apoio formal a nenhum dos candidatos desde o primeiro turno. Após Flávio Bolsonaro terminar a etapa à frente de Lula, o republicano classificou o resultado como uma “grande vitória”, enquanto Washington e Brasília enfrentam tensões envolvendo sanções, tarifas e o visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos.

Amorim critica tratamento de redes a perfis de Lula e Flávio
O ex-chanceler também classificou como “muito grave” o prejuízo a perfis de Lula e o impulsionamento algorítmico de contas ligadas a Flávio Bolsonaro pela Meta. Ele afirmou que o episódio provocou “danos irreparáveis” e representa uma interferência que deixa marcas, independentemente do resultado da eleição.
“Isso é uma prova clara de que as grandes redes podem e por vezes interferem nas decisões políticas dos outros países”, afirmou Amorim. Ele evitou atribuir a situação diretamente à Casa Branca, embora tenha dito suspeitar de conexões entre as elites de poder estadunidenses.
Amorim reagiu ainda às promessas de Eduardo Bolsonaro de promover uma “faxina” no Itamaraty em uma eventual gestão de seu irmão. Eduardo, que vive nos Estados Unidos e mantém proximidade com o governo Trump, fez ataques ao ministério e ameaçou diplomatas identificados com o governo Lula. “Se fosse isso, ou se houvesse influência desse tipo de ideia, seria uma coisa terrível”, disse o assessor presidencial.
Sobre a proposta de adesão do Brasil ao Escudo das Américas, iniciativa defendida por Flávio Bolsonaro, Amorim voltou a apontar riscos à soberania brasileira.
Ele citou ataques dos Estados Unidos a embarcações no Caribe e afirmou que o país não deve aceitar esse tipo de ameaça. Ao comentar as ofensas de Javier Milei a Lula e ao Judiciário brasileiro, classificou as declarações como “lamentáveis” e defendeu a retirada por tempo indeterminado do embaixador brasileiro na Argentina.