Cenários possíveis para eleições presidenciais de 2022. Por Renato Janine Ribeiro

Jair Bolsonaro, Lula e Doria. Foto: Wikimedia Commons

Publicado originalmente no perfil de Facebook do autor

POR RENATO JANINE RIBEIRO, ex-ministro do governo Dilma e filósofo

As eleições de SP e Rio este ano mostram dois cenários possíveis – entre outros – para as presidenciais de 2022:

1) Cenário direita não fascista vs esquerda cheia de esperanças: foi o duelo Bruno Covas/Guilherme Boulos. Bruno tomou o cuidado de se afastar de Bolsonaro e até de seu mentor Doria. Ao mesmo tempo, Boulos conseguiu uma votação de 40% que, embora 20% atrás do vitorioso, é um desempenho admirável, levando em conta o ódio à esquerda construído estes anos, inclusive pela mídia.

Este é um cenário para não se morrer do coração nem de desespero. Apesar dos pesares do PSDB (inúmeros: partido que não tem mais compromissos sociais, que mudou a fase de ataque ao covid assim que terminou a apuração, que aumenta o salário da cúpula municipal enquanto retira o passe livre das pessoas entre 60 e 65 anos), não é uma agremiação fascista. E, embora Doria tenha namorado sim a extrema-direita em 2020, segue sempre seu interesse, o que em certos casos é bom (em outros, não).

2) Cenário extrema-direita vs direita não fascista. Foi o enfrentamento Crivella vs Eduardo Paes. Perdeu o extremista, por sinal afastado, depois disso, sob acusação de vários crimes. O vitorioso é político profissional, já tendo passado por vários partidos e sido inimigo e aliado de Lula, sucessivamente. Confesso que entre ele e Bruno este último me parece melhor, mas não sei quanto.

Quais seriam os desenhos equivalentes em 2022?

1) Não me parece provável um cenário como o carioca. Emplacar ao mesmo tempo um nome da extrema-direita e um da direita não extremista só vai acontecer se a esquerda estiver bem rachada. Infelizmente, é o que hoje acontece. Isso não sucedeu em SP, porque Boulos surgiu com a força do novo. Penso que no Rio, se Freixo fosse o candidato, ele teria chegado ao segundo turno (como em 2016) e, desta vez, com chances maiores (mas dependendo de quem fosse seu rival).

2) Portanto, os setores progressistas precisam se unir e além disso ter um nome com pouca rejeição. Isso nao exclui necessariamente o PT. Haddad teve uma bela votação em 2018 e Jaques Wagner tem potencial de votos elevado. Mas precisa haver uma redução nos conflitos neste campo.

3) Evidentemente, num embate da extrema direita (Bolsonaro ou outro) com os setores progressistas, estes podem perder. E obviamente um confronto da direita com a extrema-direita, ficarão de fora os projetos sociais. Devemos levar em conta tudo isso para entender que é preciso tirar o mal maior, mas sem necessariamente substituí-lo pelo mal menor.

4) Agora, já já, na eleição para a presidência da Câmara, sou inteiramente a favor da união dos progressistas com o candidato de Maia. É a forma de barrar as pautas fascistas e também de conseguir alguns compromissos sociais. Precisa de sangue frio e de negociaçao para isso. Sorte que vejo gente na esquerda com esta disposição.

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