Cenas de uma guerra nada particular. Por Marcos Nunes

 

Cenas de guerra ontem no Pavão-Pavãozinho, em Copacabana. Um porteiro de prédio morreu, vítima de estilhaços de uma granada lançada, talvez por erro ou acaso, em um bar. Como já disse a canção: morreu na contramão atrapalhando o tráfego. Uma mulher morreu de medo: ataque cardíaco. Uma calçada ficou do jeito que vocês podem ver aí: tingida de sangue.

Anteontem, a Polícia Federal fez saber à população que não tem verbas para emissão de novos passaportes. Talvez porque espere uma demanda de pelo menos 100 milhões de pessoas…

Mas… não. Do Rio de Janeiro só sairei para sempre. Enquanto puder, aqui é o meu lugar. Toda vez que viajo, depois de uns 5 dias fico na ansiedade da volta. De ver novamente a beleza e a feiura da cidade que é minha casa, a casa dos cariocas, a casa dos que vieram ao Rio de Janeiro e não querem mais saber de outro lugar.

Infelizmente, tudo vai de mal a pior, e tudo que acontece no Brasil é resultado dos fluxos financeiros do capitalismo global. Não temos poder para mudar isso. A população brasileira não está disposta, não tem ímpetos revolucionários. Permaneceremos como um território invadido, que propicia lucros aos seus invasores e misérias mal e mal administradas por seus habitantes.

Na questão específica das guerras relacionadas ao tráfico de drogas, bem, fazer o que se não acabam com essa ilegalidade inútil de drogas A, B e C, enquanto drogas D, E e F são perfeitamente legais, vendidas em supermercados, farmácias, bares e restaurantes? Estupidez que propicia “recursos não contabilizados” ao sistema financeiro, e rendimento extra a policiais e políticos.

Este é o nosso mundo, nossa história, mas, na verdade, nada é nosso – tudo nos foi roubado, todos os papéis que representamos, impingidos pelo processo histórico movido por interesses que terminam por formar fronteiras, exércitos, moedas, empresas, e povos inteiros a serviço de uma lógica pautada no capital.

Estamos fodidos, mal pagos, e isso não mudará.

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