Censura e covardia: site alemão DW entrega cabeça de colunista por pressão de milícias digitais bolsonaristas

J.P. Cuenca

O braço brasileiro do site alemão Deutsche Welle entregou de bandeja a cabeça do escritor J.P. Cuenca por causa de um tuíte dele com uma citação.

Cuenca parodiou a frase “o homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre”, do francês Jean Meslier.

Sua adaptação ficou assim: “O brasileiro só será livre quando o último Bolsonaro for enforcado nas tripas do último pastor da Igreja Universal”.

É um clichê manjado, mas bastou para as milícias virtuais bolsonaristas o crucificarem e lincharem. Liberdade de expressão vale apenas para os weintraubs.

De maneira covarde, a Deutsche Welle resolveu dispensar Cuenca.

Avisou nas redes sociais, se combinar previamente com o autor, que “deixa de publicar a coluna quinzenal Periscópio, de J.P. Cuenca, após o colunista ter escrito, em perfil privado nas redes sociais, mensagem que contraria os nossos valores.”

“A Deutsche Welle repudia, naturalmente, qualquer tipo de discurso de ódio e incitação à violência. O direito universal à liberdade de imprensa e de expressão continua sendo defendido, evidentemente, mas ele não se aplica no caso de tais declarações.”

Que os seguidores da família interpretem literalmente uma sentença batida como essas é esperado.

No caso dos editores da DW, trata-se de censura pura e simples.

Cuenca avisou que tomará as devidas providências legais.

“Discurso de ódio é crime. E falsa imputação de crime É CRIME”, escreveu.

Seu relato:

Acabo de ler o comunicado mentiroso, covarde e difamatório publicado pela DW Brasil. É desconcertante ver um veículo alemão caindo no jogo persecutório de elementos fascistas no Brasil e me perguntar se ele teria feito a mesma coisa em outros momentos da história da Alemanha.

Infelizmente terei que tomar as medidas cabíveis e levar isso às últimas consequências. Não aceito ser e caluniado e difamado, de forma alguma, pela imprensa supostamente livre e democrática que deveria me apoiar contra um linchamento virtual de origem fascista que contou com dezenas de ameaças de morte recebidas via inbox nas últimas 72 horas.

O meu tweet em questão não contém discurso “de ódio e incitação à violência” e qualquer um com o mínimo de leitura é capaz de perceber isso.

Já expliquei o óbvio e o faço de novo: atualizei, com fins de sátira, uma frase do século XVIII bem conhecida e atribuída aos iluministas Voltaire e Diderot, mas escrita pelo abade francês Jean Meslier. Essa frase, originalmente sobre reis e padres, teve diversas encarnações.

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