Karoline Leavitt delivers a message to CBS from President Trump: “He said, ‘If it’s not out in full, we’ll sue your ass off’.”🤣
— Benny Johnson (@bennyjohnson) January 17, 2026
Uma fala captada por celular acabou revelando como funciona o jornalismo nos Estados Unidos na era Trump. Pouco depois de o presidente americano encerrar a gravação de uma entrevista de 13 minutos, na terça-feira, com o apresentador Tony Dokoupil, do CBS Evening News, em Michigan, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, mandou um recado.
“Ele disse: ‘Certifiquem-se de não cortar a gravação, garantam que a entrevista vá ao ar inteira’”, afirmou Leavitt, em tom calmo, segundo um áudio obtido pelo New York Times.
Dokoupil respondeu que isso já estava sendo feito. Leavitt então acrescentou: “Ele disse: ‘Se não for exibida na íntegra, vamos processar vocês até o fim’” (em inglês é mais grosso: “We’ll sue your ass off”).
A emissora exibiu a entrevista completa naquela mesma noite. Em nota, a CBS afirmou que a decisão de ir ao ar com o material sem cortes havia sido tomada de forma independente desde o início. Pois é.
Sob Trump, esse tipo de pressão passou a fazer parte do cotidiano. Em 2024, Trump entrou com uma ação contra a CBS por causa da edição de uma entrevista exibida no programa 60 Minutes. O grupo controlador da emissora acabou pagando US$ 16 milhões em um acordo, apesar de avaliações de especialistas de que o processo tinha pouca base jurídica.
Nos últimos dias, o Departamento de Justiça realizou uma busca na casa de uma repórter do Washington Post e apreendeu seus dispositivos eletrônicos. O Pentágono restringiu o acesso de jornalistas que se recusaram a aceitar limites à apuração. Em coletivas, Leavitt frequentemente ataca repórteres; na quinta-feira, atacou um jornalista do site The Hill, acusando-o de ser “militante de esquerda”.
O presidente tem obtido acordos financeiros de empresas como Meta, Google, universidades da Ivy League e grandes escritórios de advocacia. A ABC pagou US$ 16 milhões em 2024 para encerrar outro processo movido por Trump, desta vez envolvendo comentários do âncora George Stephanopoulos.
No caso do Washington Post, o editor classificou a operação policial contra sua repórter como “escandalosa”, e o conselho editorial condenou o episódio. O proprietário do jornal, Jeff Bezos, não se manifestou.
No áudio gravado após a entrevista, a reação inicial da equipe da CBS foi de surpresa. A produtora executiva Kim Harvey respondeu com risadinhas, enquanto Dokoupil tentou aliviar o clima, dizendo que Trump “sempre fala isso”. Leavitt ficou séria.
A decisão do grupo Paramount, dono da CBS, de fechar acordo no processo do 60 Minutes segue pesando internamente. Pouco depois, o governo Trump aprovou a venda da empresa para a Skydance, atendendo seu aliado David Ellison, filho do bilionário e fundador da Oracle, Larry Ellison. Em seguida, Ellison contratou a jornalista Bari Weiss como editora-chefe da CBS News.
Weiss é sionista e sempre teve posições de extrema-direita. Adiou uma reportagem do 60 Minutes sobre o envio de migrantes venezuelanos a uma prisão de segurança máxima em El Salvador, alegando necessidade de mais apuração. Construiu carreira em veículos como o Wall Street Journal e o New York Times, de onde foi demitida após denunciar, em 2020, o que chamou de “intolerância ideológica” dentro da redação.
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