“Censurar minha palestra foi como queimar livros na ditadura”: a dura queda de Moro, que teve evento cancelado na Argentina

 

Sérgio Moro (Pedro França/Agência Senado)

Moro deu entrevista ao canal argentino de notícias La Nación Más (LN+) um dia após ter sua palestra cancelada em Buenos Aires.

Garante que “muitos argentinos entraram em contato, lamentando o havido e ofereceram para realizar a conferência em outro cenário, em outro contexto”.

Então tá.

O ex-juiz discorreria sobre o tema “Combate contra a corrupção, democracia e estado de direito” na Faculdade de Direito da principal universidade do país pelo Zoom.

Seria sua primeira incursão num filão bastante lucrativo. Ele sabe disso por Lula, seu inimigo de fé (é curioso ver o carrasco do ex-presidente tentando seguir seus passos e tropeçando).

Expressões de repúdio por parte de políticos, juristas e acadêmicos destruíram os planos de SM e o evento foi cancelado.

“Houve um misto de intolerância e de pressão política num cenário de polarização que afeta tanto o Brasil quanto a Argentina. Não levo isso para o lado pessoal”, diz ele.

“Essa polarização política dificulta o diálogo e o debate”.

Ele culpa os “kirchneristas”, quando a realidade é mais ampla: Moro é uma jabuticaba, um produto nosso que faz sucesso artificial aqui.

No resto do planeta, é um juiz de piso sem preparo, dado a práticas criminosas, instrumental para a ascensão de um fascista.

Desacorçoado, conseguiu fazer troça do conceito de “lawfare”, termo usado para definir uma guerra judiciária com fins políticos, sua especialidade.

“Com todo respeito, lawfare é conversa de criminoso que busca se defender”, definiu, expondo sua natureza autoritária, fazendo lembrar da maneira como tratava advogados e réus em audiências.

“Esse tipo de situação de impedir palestras é mais ou menos o que se fazia no passado quando se queimavam livros em situações arbitrárias”, comparou.

Bateu no presidente Alberto Fernández, que visitou Lula na cadeia em julho de 2019. Fernández, ex-professor da instituição, assinou a carta de repúdio contra o maringaense.

“Na época, achei que isso foi um pouco ofensivo. Sinceramente, achei que não fez bem para as relações bilaterais. Não foi muito apropriado”, criticou.

Mais uma vez, errou o timing.

Como diz seu ex-chefe Bolsonaro, acabou, porra. Moro sempre terá Curitiba.

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