CEO da Enel diz que “só Jesus Cristo” evitaria apagões em SP

Atualizado em 23 de fevereiro de 2026 às 14:42
Funcionário da Enel em 2024 trabalhando no restabelecimento de energia. Foto: Divulgação

A Enel voltou ao centro do debate sobre apagões em São Paulo após novas críticas ao serviço de distribuição de energia. Em evento com investidores realizado nesta segunda-feira (23), em Milão, o CEO global da companhia, Flavio Cattaneo, afirmou que a empresa tem feito tudo o que é “humanamente” possível para reduzir as interrupções no fornecimento.

Ao comentar a queda frequente de árvores sobre a rede aérea, o executivo declarou: “Se permanecer esse jeito (queda de árvores sobre a fiação), só tem um capaz de gerenciar, mas este não é humano, é Jesus Cristo, porque não é possível de outro jeito evitar o apagão”. Ele destacou que São Paulo é a única grande metrópole com rede predominantemente aérea, diferentemente de cidades como Madri, Paris e Roma, onde o sistema é subterrâneo.

Cattaneo atribuiu parte dos problemas ao aumento de tempestades e ventos fortes, associados às mudanças climáticas. Segundo ele, a combinação de fiação exposta e arborização intensa torna “impossível” evitar falhas em situações extremas.

Apesar das críticas e da fiscalização sobre o desempenho da concessionária, o CEO garantiu que a empresa não pretende vender a operação paulista. Ele afirmou que a Enel cumpre os critérios do contrato de concessão e seguirá investindo no país.

O executivo ponderou que a poda de árvores é responsabilidade da prefeitura e disse: “Na nossa visão, não se trata apenas de um problema da Enel”. Também afirmou que investimentos estruturais exigem prazo para surtir efeito e acrescentou: “E levando em consideração as eleições, ninguém quer estar envolvido com a discussão relativa ao apagão”.

Prédio da Enel. Foto: Divulgação

Como proposta, a empresa defende a criação de “corredores elétricos”, com manejo da arborização e substituição de espécies de grande porte por árvores menores. Cattaneo informou que a companhia prepara comunicação formal ao presidente Lula e ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira de Oliveira, para tratar do tema. “Acredito numa boa base de diálogo para propor uma solução final que evite esse tipo de problema”, afirmou.

Em janeiro do ano passado, a Enel anunciou R$ 25,3 bilhões em investimentos no Brasil, sendo R$ 24 bilhões destinados à distribuição em São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, aumento de 62% em relação ao plano anterior. A empresa atende quase 8 milhões de clientes em São Paulo.

Segundo o CEO, o Tempo Médio de Atendimento caiu de 832 minutos, em 2023, para 434 minutos no ano passado, o que representaria melhora de 50% na qualidade do serviço. O histórico recente inclui eventos climáticos severos.

Em 10 de dezembro, um vendaval deixou mais de 2,2 milhões de clientes sem energia na Grande São Paulo, com normalização levando mais de cinco dias em várias áreas. Em 3 de novembro de 2023, ventos superiores a 100 km/h e chuvas intensas afetaram 2,1 milhões de consumidores, com restabelecimento completo após quase uma semana.

Paralelamente, o grupo anunciou plano global de investimento de 53 bilhões de euros entre 2026 e 2028, sendo cerca de 9 bilhões destinados à América Latina, incluindo o Brasil.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.