
Milhares de migrantes começaram a abandonar Ceuta e retornar ao Marrocos depois de descobrirem que a entrada no território espanhol não abria caminho para o restante da Europa. Exaustos, com roupas molhadas ou rasgadas e alguns com ferimentos nas pernas, eles voltaram pela fronteira após dias sem comida, abrigo ou perspectiva de chegar à Espanha continental.
A maioria havia entrado no enclave nadando, contornando barreiras marítimas ou escalando cercas durante o avanço de mais de 50 mil pessoas sobre a fronteira. Migrantes ouvidos pela Reuters disseram que foram atraídos por vídeos nas redes sociais e mensagens de amigos que apresentavam a passagem como vulnerável e alimentavam a expectativa de uma nova vida na Europa.
A realidade encontrada do outro lado foi diferente. Um trabalhador de uma padaria de Fez afirmou que passou três dias consumindo apenas água. Supermercados e lojas estavam fechados, os poucos alimentos disponíveis eram vendidos por preços elevados e não havia uma rota aberta para Madri ou outras cidades espanholas. “Ceuta era como uma prisão”, resumiu outro migrante.
O fechamento do comércio, inicialmente motivado pelo medo dos moradores, deixou milhares de pessoas procurando água e comida enquanto as roupas usadas na travessia secavam nas ruas. Centros de acolhimento atingiram a capacidade máxima, e muitos migrantes passaram as noites em praias, calçadas e áreas próximas à fronteira.

Também houve denúncias de agressões e expulsões no bairro de El Príncipe, onde vive uma comunidade de origem marroquina. O Ministério do Interior espanhol confirmou dois feridos leves em ataques com faca e informou que um suspeito foi preso. Moradores disseram que a chegada repentina provocou medo, mas também reconheceram que os jovens estavam sendo explorados e transformados em moeda de pressão.
Apesar do retorno da maioria, milhares ainda permaneciam em Ceuta. Alguns insistiam em ficar mesmo sem abrigo ou possibilidade imediata de seguir viagem. O movimento ocorreu depois de uma travessia que deixou dezenas de mortos por afogamento e em tumultos nos acessos ao território espanhol.
A inversão do fluxo reduziu a pressão imediata sobre Ceuta, mas não encerrou a crise diplomática. O tamanho da entrada em massa, a passividade inicial atribuída a agentes marroquinos e relatos de que autoridades indicaram o caminho até a fronteira mantiveram as suspeitas sobre a atuação de Rabat. O Marrocos já foi acusado de afrouxar o controle migratório em outros momentos de tensão com Madri.
Estados Unidos e Israel aproveitaram o episódio para atacar Pedro Sánchez, um dos principais críticos europeus do genocídio em Gaza promovido por Netanyahu.
A Casa Branca culpou a política migratória espanhola, enquanto autoridades israelenses ironizaram o premiê e questionaram a presença da Espanha em Ceuta. As declarações deram munição ao Vox e a outras forças da extrema direita que descrevem a migração como uma “invasão”. Com informações do Globo.
#Ceuta hundreds of Moroccan immigrants voluntarily return via the Tarajal breakwater heading to #Marruecos following the announcement of the repatriation agreement #FronteraSur #Inmigracion #Maroc #Magreb pic.twitter.com/P97V5ng3Ki
— Patil -e- Hindustan (@therock194693) July 31, 2026