
O ator Wagner Moura apresentou uma queixa-crime contra o pastor Silas Malafaia, acusando-o de injúria e difamação, segundo a coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo. A ação pede a condenação do religioso e alega que publicações feitas nas redes sociais ultrapassaram os limites da liberdade de expressão ao atingir sua honra pessoal e profissional.
O processo tem como base mensagens publicadas por Malafaia sobre o filme “O Agente Secreto”, indicado ao Oscar, e sobre a participação de Moura na produção. Em uma das postagens, o pastor escreveu:
“Wagner Moura! Para esse artista cretino, governo bom é dar aumento de 18 reais para professores e 18 bilhões para o que eles chamam de cultura. Na verdade é compra de consciência e propaganda de governo. Você está morando no lugar errado, ao invés de EUA, vai morar em Cuba seu esquerdista de ataque!”.
Os advogados Augusto Arruda Botelho e Caio Mariano afirmam que as publicações tiveram amplo alcance e atribuíram ao ator uma conduta considerada moralmente reprovável ao associá-lo ao uso de recursos públicos para suposta propaganda governamental. Segundo a ação, as expressões utilizadas tiveram caráter ofensivo e depreciativo.

Na peça apresentada à Justiça, a defesa de Moura argumenta que “a utilização do termo ‘cretino’, em particular, revela inequívoco caráter insultuoso, constituindo xingamento que atinge frontalmente a dignidade do querelante”.
Os advogados também apontam que a expressão “esquerdista de ataque” foi empregada com o objetivo de desqualificar publicamente o ator. Em resposta, Malafaia declarou que Moura terá de processar “centenas de milhares” de pessoas que manifestaram opinião semelhante nas redes sociais.
Após o processo, o pastor afirmou: “Venha a público e diz que não recebeu nada [de recursos públicos para fazer o filme]. Eu te peço perdão e retiro o que falo. Você recebeu uma grana violenta, diz quanto é que é. Nessa grana tem dinheiro do contribuinte brasileiro”.
O religioso ainda afirmou que o ator é “esquerdopata antigo” e questionou o financiamento da produção cinematográfica. O caso tramita paralelamente a uma ação cível já movida por Wagner Moura contra Malafaia. Até o momento, a Justiça ainda não analisou o mérito da queixa-crime.