
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã nesta quarta-feira (29), em meio ao impasse nas negociações para encerrar a guerra no Oriente Médio. Em publicação na Truth Social, o republicano disse que “não será mais o cara legal” e compartilhou uma montagem em que aparece de óculos escuros, segurando um fuzil, com explosões ao fundo.
“O Irã não consegue se organizar. Eles não sabem como assinar um acordo que não seja nuclear. É melhor ficarem espertos logo!”, afirmou Trump.
A mensagem se refere às tratativas entre Washington e Teerã, mediadas pelo Paquistão. As conversas seguem travadas, com os dois lados rejeitando propostas e divergindo sobre o formato das negociações. Segundo a Reuters e o New York Times, Trump está insatisfeito com a proposta mais recente apresentada pelo Irã para encerrar o conflito.
A ameaça ocorre durante um cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, mas a trégua pode estar sob risco. Além da publicação de Trump, a Reuters informou que Washington analisa uma possível retomada dos bombardeios contra alvos militares e políticos iranianos.

As opções militares continuam formalmente em avaliação. Um funcionário da Casa Branca, porém, descreveu como “enorme” a pressão interna para encerrar a guerra. Segundo uma das fontes ouvidas pela Reuters, o Irã tem usado o cessar-fogo para recuperar lançadores, munições, drones e outros equipamentos soterrados após ataques estadunidenses e israelenses nas primeiras semanas do conflito.
O governo Trump também avalia como o Irã reagiria a uma eventual declaração de vitória dos Estados Unidos. Agências de inteligência foram acionadas para analisar os efeitos de uma possível redução da presença militar estadunidense na região.
Segundo fontes citadas pela Reuters, uma desescalada rápida poderia aliviar a pressão política sobre Trump e o Partido Republicano nas eleições legislativas deste ano. Ao mesmo tempo, autoridades temem que o movimento fortaleça Teerã e permita a retomada futura dos programas nuclear e de mísseis.
Analistas avaliam que, se Trump declarar vitória e reduzir a presença militar, o Irã poderá interpretar a medida como um triunfo próprio. Já uma declaração de vitória acompanhada da manutenção de tropas na região poderia ser vista por Teerã como uma estratégia de negociação, e não como o fim da guerra.
A porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, afirmou que os Estados Unidos seguem negociando e não aceitarão um acordo ruim. Segundo ela, Trump só aceitará termos que priorizem a segurança nacional e garantam que o Irã não terá armas nucleares.
O conflito também gera desgaste interno. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na semana passada apontou que apenas 26% dos entrevistados consideram que a campanha militar valeu o custo, enquanto 25% disseram que ela tornou os Estados Unidos mais seguros.
Vinte dias após Trump anunciar o cessar-fogo, a diplomacia ainda não conseguiu reabrir totalmente o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. O bloqueio parcial elevou custos de energia e preços da gasolina nos Estados Unidos, ampliando a pressão econômica sobre o governo.