“Chega de fantasias”: As respostas da Colômbia, México e Groenlândia sobre ameaças de Trump

Atualizado em 6 de janeiro de 2026 às 7:11
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Reprodução

Colômbia, México e Groenlândia refutaram ameaças e declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a operação militar que resultou no sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no fim de semana.

Citados direta ou indiretamente em falas recentes da Casa Branca, os três países reagiram reafirmando a soberania, rejeitando intimidações e criticando qualquer possibilidade de uso da força fora do direito internacional.

O presidente colombiano Gustavo Petro foi alvo direto de Trump, que o acusou, sem provas, de envolvimento com o narcotráfico e disse que uma operação militar semelhante à realizada na Venezuela “parece boa” para a Colômbia.

Petro respondeu nas redes sociais: “Meu nome (…) não aparece nos arquivos judiciais sobre narcotráfico. Pare de me caluniar, senhor Trump”.

Em outra postagem, afirmou que havia jurado não voltar a pegar em armas após o acordo de paz de 1989, mas declarou: “pela pátria, pegarei de novo as armas que não queria”.

As trocas de acusações aprofundam a crise entre dois países que vivem o pior momento da relação bilateral. Desde que iniciou seu segundo mandato, em janeiro de 2025, Trump e Petro têm se chocado repetidamente em temas como política tarifária e migração.

México rejeita doutrina de dominação

A presidente mexicana Claudia Sheinbaum também criticou as referências de Trump à Doutrina Monroe, classificando-as como incompatíveis com a soberania regional. “O continente americano pertence aos povos de cada um dos países que o compõem”, afirmou.

Trump havia dito que a doutrina foi “superada” e sugerido uma nova versão, chamada por ele de “Donroe”, ao defender a primazia dos EUA no hemisfério.

Apesar de depois afirmar que não pretendia ameaçar o México, o cenário permanece de desconfiança, especialmente após relatos de treinamento de tropas americanas para possíveis ações contra cartéis, algo reiteradamente rejeitado pelo governo mexicano.

Presidente do México, Claudia Sheinbaum.
A presidente mexicana Claudia Sheinbaum

Groenlândia rejeita fantasias de anexação

As declarações de Trump também reacenderam tensões com a Groenlândia, território autônomo ligado à Dinamarca. O presidente americano voltou a defender a anexação da ilha, considerada estratégica, e não descartou o uso da força.

A reação veio após a divulgação de um mapa com a Groenlândia coberta pela bandeira dos EUA e a frase “em breve”, em uma publicação da esposa do vice-chefe de Gabinete da Casa Branca, Stephen Miller, Katie Miller.

O chefe do governo local, Jens Frederik Nielsen, respondeu: “Chega de pressão. Chega de insinuações. Chega de fantasias de anexação. Estamos abertos ao diálogo. Estamos abertos às discussões. Mas isso deve ser feito pelos canais adequados e com respeito ao direito internacional”.

O embaixador da Dinamarca em Washington, Jesper Møller Sørensen, também cobrou respeito à integridade territorial do reino.

“Um pequeno lembrete amigável sobre os Estados Unidos e o Reino da Dinamarca: somos aliados próximos e devemos continuar a trabalhar juntos como tal. E, sim, esperamos o respeito total à integridade territorial do Reino da Dinamarca”, disse Jesper.