Chegou a hora da reparação de danos. Por Moisés Mendes

Publicado originalmente no blog do autor:

Quem cometeu besteiras (e crimes), induzindo a população ao negacionismo e muitas vezes à morte, pode se preparar. Vem aí a Associação Nacional das Vítimas da Covid-19.

É uma ideia do deputado federal Pedro Uczai (PT-SC). Uma associação para responsabilizar não só ocupantes de cargos públicos, começando por Bolsonaro, mas profissionais da saúde que empurraram goela abaixo a cloroquina e os kits da morte.

Quem seguiu e ainda segue a linha de Bolsonaro, em nome da ‘ciência’ da extrema direita, deve começar a se preocupar.

Os receitadores compulsivos de tratamentos precoces que se preparem, porque há uma articulação nacional pela reparação de danos.

A feitiçaria do bolsonarismo teve consequências com mortes e danos sociais, morais e econômicos.

A tentativa de imposição do kit por Bolsonaro é um gesto político, sem base científica nenhuma. Nem se discute mais isso. Bolsonaro sabotou a vacina e tentou criar uma alternativa à imunização, até porque precisa desovar o estoque de milhões de comprimidos que mandou fabricar no laboratório do Exército.

Fracassou e agora começa a recuar, admitindo o poder da vacina, para tentar se salvar. A grande maioria da população rejeita a cloroquina.

Os médicos que aderiram ao discurso do sujeito embarcaram, por desinformação ou por adesão política, no marketing da cloroquina.

Sentem-se amparados pela omissão do Conselho Federal de Medicina, que liberou geral, para não oferecer argumentos aos que depois irão denunciar negligência ou atitudes criminosas.

Depoimentos de moradores do interior do Estado deixam claro que o receitador do tratamento preventivo é, em 90% dos casos, um bolsonarista, mesmo que moderado. Não é apenas um conservador.

É mais um militante político do que um homem da ciência e da saúde pública, mesmo que não seja servidor público. A saúde pública interessa também, por dever, a agentes privados.

Muita gente boa, respeitada e que se considera de bem, com trajetórias reconhecidas em cidades onde todo mundo sabe quem é quem, terá de olhar na cara dos parentes dos que morreram tomando cloroquina.

O receitador de cloroquina foi para uma guerra que achava ser contra os inimigos de esquerda ou contra João Doria ou até contra o médico ‘adversário’ que pensa diferente, e não contra a pandemia.

Perdeu. Terá que assumir responsabilidades.