“Cheira meu sovaco”: por que a Globo passou pano para Cauã Reymond?

Atualizado em 28 de abril de 2026 às 16:10
Cauã Reymond e Bella Campos em “Vale Tudo”. Foto: Reprodução

Corajosa e necessária: a atriz Bella Campos botou a boca no trombone. Não é um bom dia para Cauã Reymond, muito menos para a Rede Globo.

No videocast Conversa vai, conversa vem, Bella falou sobre maternidade, carreira e os bastidores tensos das gravações da novela Vale Tudo.

Contou coisas asquerosas, típicas de um “galã” que sempre me lembra Gastón, de A Bela e a Fera: másculo, raso e extremamente sem noção.

“Cheira aqui meu sovaco pra ver se estou fedendo” foi só uma das falas de Cauã que a atriz reproduziu no videocast.

Segundo ela, Cauã teria dito, durante as gravações: “Cocê parece que gosta de cheiro de homem”.

Primeiro: isso é invasivo. Cheiro, o que a outra pessoa gosta, “cheiro de homem” como sinônimo de virilidade… Sem noção, no mínimo.

Segundo: por que a Rede Globo colocou panos quentes na situação e não tomou providências para que uma mulher não se sentisse assediada no ambiente de trabalho?

Por isso Bella Campos não deitou. Na mesma entrevista, desceu o sarrafo na plim-plim e disse que “não houve acolhimento real, houve silêncio”.

Disse, com serenidade madura, ter solicitado providências institucionais da empregadora, reuniões e mediação, sem retorno.

Na época das farpas entre Bella e Cauã, publicamos uma coluna em que eu assino justamente o que Bella Campos confirmou ao O Globo: a Rede Globo priorizou preservar a própria imagem. E que se dane a mulher assediada e importunada todo santo dia no trabalho.

Aí depois vai fazer campanha de arrecadação para caridade e discursinho moral. Me poupe, dona Globo.

O que merece atenção aqui é o seguinte: isso é feminismo na prática.

A coragem de Bella Campos está em não abandonar suas bandeiras e valores íntimos. Mesmo sabendo que pode ser limada, não poupou críticas.

“Quando você olha quem decide, quem protege, quem segura essas situações… são sempre os mesmos perfis”, disse.

Isso é ideologia. Isso é uma das grandes belezas da arte.

Apesar das críticas contundentes, ela deixou a porta aberta: “Continuo disponível para trabalhar, mas não para compactuar com esse tipo de dinâmica”.

Brilhou, encurralou a Globo em uma entrevista bem-humorada e chiquérrima — e ainda fez networking.

Diva.

Nathalí Macedo
Nathalí Macedo, escritora baiana com 15 anos de experiência e 3 livros publicados: As mulheres que possuo (2014), Ser adulta e outras banalidades (2017) e A tragédia política como entretenimento (2023). Doutora em crítica cultural. Escreve, pinta e borda.