
O deputado federal Chico Alencar protocolou nesta sexta-feira (23) uma representação criminal na Procuradoria-Geral da República (PGR) pedindo a abertura de investigação contra o deputado federal Mário Frias por suspeitas de participação em um suposto esquema de “rachadinha” em seu gabinete parlamentar.
No documento enviado à PGR, Chico Alencar solicita a apuração de possíveis crimes de concussão, peculato, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo a representação, as penas somadas para os delitos investigados poderiam ultrapassar 50 anos de prisão.
A ação tem como base reportagens publicadas pelo portal G1 nos dias 21 e 22 de maio de 2026, que revelaram documentos bancários, comprovantes de PIX e extratos relacionados à ex-assessora parlamentar Gardênia Morais, funcionária do gabinete de Mário Frias entre fevereiro de 2023 e maio de 2024.
Repasses a aliados e familiares
De acordo com a representação, Gardênia recebia salários pagos pela Câmara dos Deputados e posteriormente realizava transferências financeiras para pessoas ligadas ao entorno político de Mário Frias.
Os documentos citados apontam repasses superiores a R$ 35 mil ao então chefe de gabinete Raphael Azevedo e familiares dele. O texto também menciona o pagamento de uma fatura de cartão de crédito da esposa do parlamentar, Juliana Frias, no valor de R$ 4.832,32, além de uma transferência via PIX de R$ 1 mil para Maria Lucia Frias, mãe do deputado.
Outro ponto destacado envolve empréstimos consignados contratados pela ex-assessora, que somariam cerca de R$ 174 mil. Parte desse montante, segundo a denúncia, teria sido destinada ao ex-chefe de gabinete.
A representação ainda aponta um saque em espécie de R$ 49.999,99 realizado por Gardênia após depósitos de R$ 50 mil feitos por Raphael Azevedo e sua esposa. Para Chico Alencar, a operação pode indicar tentativa de ocultar a destinação final dos recursos.
Ex-assessora diz que deputado “sabia de tudo”
Os advogados reproduzem no documento declarações atribuídas à ex-assessora Gardênia Morais, que teria afirmado ao G1 que “o deputado sabia de todas as devoluções” e que o esquema fazia parte de um “combinado inicial”.
Segundo a representação, Gardênia também declarou que outros integrantes do gabinete devolviam parte dos salários, o que, na avaliação de Chico Alencar, indicaria uma estrutura sistemática e organizada dentro do gabinete parlamentar.
Crimes apontados
A peça apresentada à PGR sustenta que os fatos podem configurar:
– concussão, caso tenha havido exigência de devolução de salários;
– peculato, pelo suposto desvio de recursos públicos;
– corrupção passiva, diante do possível recebimento indireto de vantagens;
– lavagem de dinheiro, em razão das movimentações financeiras e saques em espécie;
– organização criminosa, pela suposta divisão de tarefas e continuidade das práticas.
O documento também cita investigações anteriores envolvendo suspeitas de “rachadinha” em gabinetes parlamentares, incluindo casos ligados ao senador Flávio Bolsonaro e ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Pedidos feitos à PGR
Entre as medidas solicitadas por Chico Alencar estão:
– abertura de notícia de fato pela PGR;
– eventual pedido de inquérito ao Supremo Tribunal Federal;
– quebra de sigilo bancário dos envolvidos;
– oitivas de assessores e familiares citados;
– acesso a documentos da Câmara dos Deputados;
– investigação sobre outros possíveis servidores envolvidos.
A representação também pede o encaminhamento do caso ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados para avaliação de possíveis medidas administrativas e disciplinares.