Chile caminha para a derrubada da última muralha do pinochetismo. Por Gilberto Maringoni

Uma mulher chilena dá seu voto em uma seção eleitoral em Santiago, capital do Chile, neste domingo
AFP

Publicado originalmente no Facebook do autor:

VIVA CHILE!

 

Cinquenta anos após a posse de Salvador Allende (novembro de 1970) e 32 anos depois do final da ditadura, neste histórico final de semana, o Chile finalmente abre caminho para a derrubada da última muralha do pinochetismo, a Constituição de 1980.

O governo Piñera – após as surpreendentes manifestações de massa de 2020 – aceitou a realização de uma eleição Constituinte, cheia de salvaguardas malandras. A maior delas era só admitir mudanças que contassem com 2/3 dos constituintes eleitos.

Estava certo de que, mesmo na pior das hipóteses para a direita, cláusulas pétreas da Carta anterior estariam garantidas. Essas seriam a tipificação de crime de terrorismo, restrições eleitorais, abertura para privatizações em todas as áreas, entre outras medidas arbitrárias.

O pior dos piores cenários para a direita se confirmou, apesar de um comparecimento menor do que o esperado nas urnas (41%). Um total de 117 de 155 dos eleitos são de esquerda, centroesquerda ou independentes, sendo vários sufragados por povos originários. Serão 83 mulheres e 72 homens (pense na Câmara dos Deputados do Brasil, na qual há 436 homens e 77 mulheres)!

Nas disputas regionais, a direita ganhou 2 governos e a centroesquerda em 15. Santiago terá uma prefeita comunista e a direita perde em outras cidades importantes, como Viña del Mar e Maipu.

É difícil afirmar que a América do Sul, em seu conjunto, vive uma nova onda rosa, como nos primeiros anos do século. O principal país, o Brasil, com 2/3 do PIB e 50% da população, é governado vocês sabem por quem. Há uma disputa em andamento no Peru. No Equador, uma divisão do progressismo abriu caminho para a continuidade do conservadorismo ultraliberal.

Mas é inegável o crescente rechaço ao regressismo na região.

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