Chile decreta lockdown total em Santiago enquanto bate recordes de vacinação contra Covid-19

Como o Chile se tornou um dos favoritos na corrida da vacina contra Covid-19. Foto: Ministerio de Salud Chile / Facebook

Publicado originalmente no rfi:

O centro de Santiago, outros sete municípios da região metropolitana da capital, a costeira Viña del Mar ou a distante Iquique, no extremo norte, são exemplos de cidades que passam de um lockdown apenas nos fins de semana – iniciado em 13 de março – a um bloqueio permanente e por tempo indeterminado.

Na região metropolitana de Santiago, onde vivem 7 dos 19 milhões de habitantes do Chile, o lockdown é total. Desde agosto de 2020 a capital não via medidas similares.

O motivo do endurecimento é a crescente quantidade de contágios, diariamente acima de seis mil casos, elevando o nível de ocupação nas unidades de terapia intensiva a uma média de 95% e deixando o país à beira de um colapso sanitário.

Na última quinta-feira (18), os novos casos chegaram a 6.249 em 24 horas. Na sexta-feira (19), o número passou para 6.604, muito próximo ao recorde de 6.938 de infectados em junho passado.

No total acumulado, o Chile tem 918.053 casos, dos quais 36.433 são ativos. Os mortos somam 22.087, sendo 99 nas últimas 24 horas.

“Estamos muito preocupados com esta segunda onda. As medidas são duríssimas. O trabalho do sistema de saúde tem sido gigantesco. Pedimos, com muita humildade, um último esforço”, apelou o ministro chileno da Saúde, Enrique Paris.

Recorde de casos e recorde de vacinas

Em paralelo ao endurecimento do lockdown e em aparente contradição, o Chile continua no pódio dos países que mais vacinas aplicaram e a liderar o ranking dos que mais rápido vacinam diariamente com 1,45 dose por cada 100 habitantes, segundo a organização Our World In Data, ligada à Universidade de Oxford. Em segundo lugar, vem Israel, que inocula 0,85 dose por cada 100 habitantes. A média do Brasil é de apenas 0,15.

O Chile já vacinou 5,476 milhões de pessoas. A meta de vacinar toda a população de risco foi alcançada na terça-feira (16), com duas semanas de antecipação.

Até agora, 28,4% dos chilenos já foram imunizados. No próximo dia 24, o país começa a vacinar a chamada “população objetivo”: 80% da população total até junho para atingir a imunidade de rebanho.

“Não somos triunfalistas em relação à vacina, pelo contrário. Para que tenhamos uma campanha de vacinação bem-sucedida, é preciso manter as normas sanitárias porque a batalha contra a disseminação do vírus continua até 30 de junho”, indicou o ministro Paris, ciente do relaxamento que o avanço da vacinação provocou na população.

“A sensação de vitória desde a chegada das primeiras doses, um relaxamento das restrições de circulação e um esgotamento por parte da população quanto às medidas de proteção levaram a uma alta do número de casos e das hospitalizações”, afirma à RFI a infectologista chilena Claudia Cortés, vice-presidente da Sociedade Chilena de Infectologia.

“Não existe nenhum paralelo entre o aumento de casos e uma campanha de vacinação bem-sucedida”, explica a especialista. “As vacinas funcionam depois de completarem todo o processo: duas doses e algumas semanas de espera depois da segunda. O benefício coletivo só chegará quando, pelo menos, 80% da população estiver vacinada”, conclui Claudia Cortés.