China acusa EUA de sabotar cooperação com Argentina em nova crise do governo Milei

Atualizado em 6 de agosto de 2026 às 10:21
Donald Trump e seu poodle Javier Milei

A Embaixada da China na Argentina acusou os Estados Unidos de interferir diretamente na cooperação econômica entre Buenos Aires e empresas chinesas, denunciando o uso de sanções e cancelamentos de vistos como instrumento para bloquear parcerias comerciais.

A manifestação foi divulgada na quarta-feira (6), depois de medidas adotadas pelos Estados Unidos contra uma empresa argentina que mantém relações com a gigante chinesa Huawei.

Segundo a representação diplomática chinesa, a Embaixada dos EUA em Buenos Aires promove deliberadamente a chamada “teoria da ameaça chinesa”, amplia de forma arbitrária o conceito de segurança nacional e utiliza o cancelamento de vistos para impedir a cooperação econômica normal entre empresas argentinas e chinesas.

“A Embaixada dos Estados Unidos na Argentina promove deliberadamente a chamada ‘teoria da ameaça chinesa’, amplia o conceito de segurança nacional e, por meio da revogação de vistos, impede abertamente a cooperação normal”, afirmou a missão chinesa.

Para Pequim, a atitude representa uma afronta à soberania argentina e aos princípios do livre mercado. A Embaixada dos Estados Unidos não comentou as acusações.

Nova frente de tensão no governo Milei

O episódio aprofunda uma série de crises diplomáticas envolvendo Javier Milei, cuja política externa passou a ser marcada pelo alinhamento quase automático às posições do governo Donald Trump.

Desde que assumiu a Presidência, Milei rompeu com a tradicional política de equilíbrio adotada pela diplomacia argentina e transformou Washington em seu principal eixo estratégico, ao mesmo tempo em que endureceu o discurso contra a China, apesar de o país asiático ser o segundo maior parceiro comercial da Argentina.

As relações entre Brasília e Buenos Aires sofreram um forte desgaste após sucessivos ataques de Milei ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, culminando no rebaixamento das relações diplomáticas entre os dois países.

Agora, o conflito se estende também à China.

Contradição econômica

As acusações surgem poucos dias depois de China e Argentina renovarem por mais cinco anos o acordo bilateral de swap cambial entre seus bancos centrais, no valor de 130 bilhões de yuans (cerca de US$ 19,3 bilhões).

O mecanismo é considerado estratégico para as reservas internacionais argentinas e ajuda o país a aliviar a escassez de dólares, fator essencial para enfrentar sua crise cambial.

A crítica de Pequim evidencia a contradição da política externa de Milei: enquanto o governo busca estreitar laços políticos com Washington, continua dependente da cooperação financeira e comercial com a China, um dos principais compradores das exportações argentinas e fonte relevante de financiamento para a economia do país.

Davi Nogueira
Davi tem 25 anos, é editor e repórter do DCM, pesquisador do Datafolha e bacharel em sociologia pela FESPSP, além de guitarrista nas horas vagas.