
Do X de Arnaud Bertrand, empreendedor e comentarista de economia e geopolítica:
A história do Wall Street Journal sobre o segredo nuclear é, muito provavelmente, uma completa mentira (por razões explicadas por Neil Thomas), e a narrativa do golpe é ainda mais improvável, tanto por razões de estrutura organizacional quanto pela simples razão de que Xi obviamente não dorme em um hotel quando está em Pequim. A narrativa afirma que o golpe teria sido planejado em 18 de janeiro, enquanto ele estaria hospedado no Hotel Jingxi, sob o argumento de que “não tem residência fixa” em Pequim — o que é uma completa mentira. A fonte dessa história do golpe é Sheng Xue, uma típica dissidente chinesa radicada no Canadá, cujo boato foi amplificado pelo Falun Gong: todos os sinais de um rumor sobre a China sem qualquer prova.
A verdade é que, quando se trata da política da elite do Partido Comunista da China, fora o que é declarado oficialmente pelas autoridades, tudo não passa de especulação sem fundamento. Essas pessoas simplesmente não vazam informações — isso é impossível. As consequências de um vazamento não autorizado para a mídia são extremamente graves e, além disso, todos no partido nesses níveis — incluindo o próprio Xi — são monitorados constantemente por motivos de segurança.
Portanto, a única coisa que se pode fazer sem entrar no território dos rumores é “ler as entrelinhas”, analisando cuidadosamente a linguagem dos comunicados oficiais e observando o que é empiricamente verificável (quem aparece onde, quem está ausente). Ou simplesmente aceitar que a resposta honesta para a maioria das perguntas sobre a política da elite partidária é: “não sabemos”.
Pelo que entendi ao analisar os sinais, parece tratar-se de uma questão de desrespeito à hierarquia. O Diário do Povo usou a expressão “atropelou e minou gravemente” — “践踏破坏” — o sistema de responsabilidade do presidente da CMC. Linguagem semelhante foi usada no passado para a destituição de Guo Boxiong, também vice-presidente da CMC, assim como Zhang Youxia, que foi acusado de ter construído um centro de poder alternativo — “formando uma panelinha” (结党), segundo a expressão oficial — o que teria efetivamente minado o sistema de responsabilidade do presidente da CMC durante o mandato de Hu Jintao. Linguagem semelhante também foi usada para a destituição de He Weidong no ano passado.
Notavelmente, a linguagem usada para se referir a Zhang é ainda mais forte: “践踏” (“pisoteado”), enquanto nos casos de Guo Boxiong e He Weidong foi usado apenas “严重破坏” (“seriamente minado”). O termo transmite um desprezo deliberado, quase desdenhoso. Assim, minha melhor hipótese é que Zhang tenha minado a cadeia de comando — isto é, a autoridade de Xi — de maneira bastante grave, além de ter facilitado práticas de corrupção, que é a outra acusação oficial.
Ou talvez eu esteja complicando demais: “desrespeitar” a hierarquia pode simplesmente significar não combater a corrupção, apesar das diretrizes explícitas de Xi nesse sentido. Xi fez do combate à corrupção um pilar central de seu governo; não implementar essas diretrizes nas Forças Armadas é, por si só, uma forma de desprezo flagrante por sua autoridade. A linguagem mais dura pode apenas refletir a dimensão do problema que foi permitido se agravar, e não necessariamente qualquer deslealdade política em um sentido mais amplo.
Mas, novamente, a resposta mais honesta é: não sabemos ao certo — e qualquer um que diga que sabe está mentindo.
A journalist asked me for my take on Zhang Youxia, so I might as well post it publicly.
The nuclear secret WSJ story is very likely completely bullshit (for reasons explained by Neil Thomas here: https://t.co/ywnNs7Dr39) and the coup narrative even more so, for reasons of…
— Arnaud Bertrand (@RnaudBertrand) January 26, 2026