
China e Rússia reagiram nesta quinta-feira (2) ao discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a guerra no Irã, em curso há dois meses. Pequim afirmou que os ataques conduzidos por Washington e por Israel são a principal causa do bloqueio no Estreito de Ormuz, enquanto Moscou declarou estar pronta para contribuir para uma solução do conflito.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que “a raiz do problema das interrupções na navegação pelo Estreito de Ormuz são as operações militares ilegais dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã”. Segundo ela, apenas um cessar-fogo e a retomada de negociações podem garantir o funcionamento das rotas marítimas internacionais.
Ning também criticou a postura do governo norte-americano sobre o fechamento da via marítima. No discurso feito na quarta-feira (1º), Trump afirmou que os Estados Unidos não dependem mais do petróleo que passa pelo estreito e sugeriu que outros países assumam a responsabilidade pela reabertura da rota.
Já o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou que a Rússia está disponível para atuar na resolução do conflito. “Se nossos serviços forem de alguma forma necessários, estamos, naturalmente, prontos para dar nossa contribuição para que a situação militar transite para um caminho pacífico o mais rápido possível”, disse.

Durante sua fala, Trump também afirmou que os objetivos militares dos Estados Unidos estão próximos de serem alcançados. Ele declarou que a operação busca reduzir a capacidade do Irã de realizar ataques e projetar poder militar fora do país. Ao mesmo tempo, ameaçou atacar infraestrutura energética iraniana caso não haja acordo de cessar-fogo.
O presidente norte-americano ainda convocou outros países a agir diretamente na reabertura do estreito. “Os países do mundo que recebem riqueza pelo Estreito de Ormuz devem cuidar dessa passagem”, afirmou, sugerindo inclusive a proteção da rota por forças internacionais.
Em paralelo, a China reiterou a defesa de uma solução negociada e voltou a pedir o fim imediato das operações militares. Ning afirmou que “meios militares não podem resolver fundamentalmente o problema” e pediu que as partes iniciem negociações de paz o mais rápido possível.
O governo iraniano também respondeu ao discurso de Trump nesta quinta-feira (2). Autoridades do país afirmaram que a guerra continuará “até a rendição e o arrependimento permanente do inimigo”, em referência aos Estados Unidos e a Israel, mantendo a posição de continuidade do conflito.