China lidera vendas de robôs humanoides enquanto EUA barram modelos estrangeiros

Atualizado em 16 de agosto de 2026 às 19:34
Robôs humanoides em exposição na China
Robôs humanoides em exposição na China. Foto: Reprodução

A China consolidou a liderança na venda de robôs humanoides em 2025, com quase 11,6 mil unidades comercializadas, enquanto os Estados Unidos decidiram barrar a entrada de novos robôs humanoides e quadrúpedes fabricados no exterior. A disputa ganhou novo capítulo com a Unitree Robotics, fabricante chinesa que abriu na segunda-feira (10) as inscrições para sua oferta pública inicial na Bolsa de Valores de Xangai.

A Unitree é a primeira companhia chinesa do setor de robôs humanoides a iniciar esse processo no mercado acionário. A operação pode elevar o valor de mercado da empresa para mais de 50 bilhões de yuans, o equivalente a R$ 37,7 bilhões, e ampliar os recursos disponíveis para sua expansão.

A empresa se tornou conhecida por fabricar robôs humanoides e quadrúpedes sofisticados a preços menores que os de concorrentes americanos. Seus produtos já circularam em demonstrações industriais e também foram usados em exercícios militares, fato que alimentou as preocupações de Washington.

No fim de julho, os EUA anunciaram a proibição de novos robôs humanoides e quadrúpedes estrangeiros no país. A Comissão Federal de Comunicações afirmou que esses equipamentos podem coletar dados exploráveis para vigiar americanos, ampliar a capacidade de inteligência de outros países ou permitir controle remoto dos dispositivos.

Pentágono. Foto: Reprodução

Disputa tecnológica entre China e Estados Unidos

O Pentágono incluiu a Unitree e outras grandes empresas chinesas de tecnologia, em junho, numa lista de companhias acusadas de manter vínculos com as Forças Armadas chinesas. Pequim rejeitou as acusações e afirmou que Washington usa a segurança nacional como pretexto para proteger seu mercado e restringir a tecnologia chinesa.

Pesquisadores já identificaram falhas de segurança em robôs da Unitree que poderiam permitir a invasores assumir o controle por comando de voz e usar um aparelho para acessar outros. O risco apontado por autoridades americanas permanece, em grande parte, teórico, porque boa parte dos robôs humanoides comerciais ainda está em estágio inicial de desenvolvimento.

O banco britânico Barclays calculou que a China respondeu por 85% dos usos de robôs humanoides em 2025. A empresa de pesquisa Omdia aponta que seis companhias chinesas estão entre as dez maiores do setor global de robótica, sustentadas pela produção em massa e pelo custo reduzido de seus modelos.

Os EUA mantêm vantagem no desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial que funcionam como o “cérebro” dos robôs. A China, por sua vez, avançou na fabricação de atuadores de alto desempenho, componentes que dão movimento às máquinas, e na oferta de modelos que podem custar metade do preço dos equivalentes americanos.

O governo de Donald Trump busca proteger fabricantes locais, como Figure AI, Tesla Optimus e Agility Robotics, da concorrência chinesa. Rush Doshi, do Conselho de Relações Exteriores dos EUA, classificou o veto como “uma das ações mais significativas já tomadas em apoio ao ecossistema de robótica dos EUA”.

Críticos da medida dizem que a restrição pode afetar pesquisadores americanos que usam robôs chineses mais baratos em testes de inteligência artificial. O consultor Georg Stieler afirmou que “restrições podem reduzir a exposição a riscos de segurança, mas, por si só, não criam um ecossistema doméstico competitivo”.

O Barclays estima que o mercado global de robôs humanoides, hoje avaliado entre US$ 2 bilhões e US$ 3 bilhões, poderá atingir US$ 200 bilhões até 2035 no cenário mais otimista. No curto prazo, as máquinas devem assumir tarefas repetitivas e fisicamente exigentes em fábricas e armazéns, antes de avançarem para áreas como saúde, assistência a idosos e trabalhos domésticos.

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