
Relatórios da inteligência dos Estados Unidos indicam que a China está se preparando para enviar novos sistemas de defesa aérea ao Irã nas próximas semanas, segundo três fontes familiarizadas com as avaliações citadas pela CNN.
A movimentação, se confirmada, ocorre após um cessar-fogo que interrompeu temporariamente o conflito entre Washington e Teerã.
A possível entrega ocorre enquanto Pequim ajuda a intermediar o acordo de trégua. O episódio ganha ainda mais relevância diante da prevista visita do presidente Donald Trump à China no próximo mês, quando deverá se reunir com o líder chinês Xi Jinping.
De acordo com as fontes, há indícios de que a China esteja planejando rotas indiretas, passando por países terceiros, para ocultar a origem dos armamentos. Os sistemas em questão seriam mísseis antiaéreos portáteis, conhecidos como MANPADS, capazes de representar uma ameaça significativa a aeronaves militares voando em baixa altitude — como já ocorreu durante as cinco semanas de guerra.
O movimento sugere que o Irã pode estar utilizando a trégua como oportunidade para recompor seu arsenal com apoio de aliados estratégicos, de modo a não ser surpreendido novamente.
Durante o conflito, um caça americano F-15 abatido no território iraniano teria sido atingido por um míssil portátil guiado por calor, segundo declarou Trump. Teerã afirmou ter usado um “novo” sistema de defesa aérea, sem detalhar sua origem.

A embaixada chinesa em Washington negou as acusações. Em nota, um porta-voz afirmou que “a China nunca forneceu armas a qualquer parte do conflito” e classificou as informações como falsas. Pequim também pediu aos Estados Unidos que evitem “alegações infundadas” e contribuam para a redução das tensões.
Ainda assim, fontes militares afirmam que o eventual envio de MANPADS representaria uma escalada no nível de apoio chinês ao Irã desde o início da campanha militar conjunta conduzida por EUA e Israel em fevereiro.
Até agora, empresas chinesas vinham fornecendo tecnologias de uso dual — civis e militares — que auxiliam o desenvolvimento de armamentos e sistemas de navegação iranianos.
Analistas avaliam que a China tenta equilibrar seus interesses: manter-se como parceira estratégica do Irã — especialmente pela dependência do petróleo iraniano — enquanto preserva uma postura pública de neutralidade para evitar confrontos diretos com Washington e Tel Aviv.
O cenário também envolve a Rússia, que, segundo relatos, tem apoiado o Irã com compartilhamento de inteligência ao longo do conflito, auxiliando na identificação de alvos militares americanos no Oriente Médio. Em contrapartida, o Irã mantém relações estreitas com Moscou e Pequim, tendo fornecido drones à Rússia na guerra contra a Ucrânia e vendido grande parte de seu petróleo à China, apesar das sanções internacionais.