“Choque e decepção”: defesa diz que ex se sentiu enganada por Vorcaro

Atualizado em 19 de março de 2026 às 17:56
Martha Graeff ao lado de Daniel Vorcaro. Foto: Divulgação

A modelo Martha Graeff foi surpreendida pelo avanço das investigações envolvendo Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e se sentiu enganada pelo ex-companheiro, segundo sua defesa. Em entrevista ao Estúdio i, o advogado Lúcio de Constantino afirmou que ela vive um “estado de choque e profunda decepção” após a prisão do banqueiro no âmbito da Operação Carbono Oculto.

De acordo com o defensor, Martha conhecia apenas a imagem pública de empresário bem-sucedido apresentada por Vorcaro e não tinha conhecimento das suspeitas que vieram à tona com a investigação. “Ela foi surpreendida com esse rombo com esse escândalo todo, tenha dúvida, não tenha dúvida (…) Esta mulher caiu em depressão”, disse.

Segundo Constantino, o relacionamento ocorreu em um período em que o banqueiro se destacava no mercado financeiro e as revelações posteriores a colocaram no centro de um caso que desconhecia.

“O que aconteceu foi num período ela ter namorado uma pessoa que se destacava no sistema financeiro (…) e que depois disso começa uma série de revelações que ela desconhecia e que ela começa a ser partícipe do público para conhecer o que está acontecendo.”

O advogado também comentou mensagens atribuídas a Vorcaro em que ele mencionava patrimônio elevado e influência política. Para a defesa, o conteúdo indicaria tentativa de autopromoção dentro da relação. “Em alguns momentos, percebe-se que ele ‘sobejava’ informações, que ele se valorizava. Isso parece um pouco comum em relação de namorados”, afirmou.

Entre os diálogos analisados, há conversas em que o banqueiro menciona encontros com autoridades e uma suposta chamada de vídeo com o ministro Alexandre de Moraes. Em uma das mensagens, Martha reage com surpresa: “Morri… que vergonha, eu estava de pijama”.

Martha Graeff ex-noiva de Daniel Vorcaro. Foto: Divulgação

O advogado criticou a divulgação desse tipo de conteúdo. “Se há uma mensagem que traz uma autoridade, o caminho é a investigação séria, a quebra de sigilo, e não a mídia agressiva sobre a intimidade de uma mulher”, declarou.

A defesa também contestou interpretações de que a modelo teria se beneficiado financeiramente do relacionamento. Apesar de conversas que citam um trust milionário e imóveis de luxo, o advogado afirma que não houve transferência de bens.

“A Marta possui um patrimônio que é igual antes, durante e depois do relacionamento. Eu perguntei: ‘Martha, tu mora onde?’. Ela mora de aluguel, em um apartamento alugado”, disse.

Segundo Constantino, os bens que ela possui foram conquistados ao longo de duas décadas de trabalho como modelo e influenciadora, principalmente nos Estados Unidos, sem vínculo com o patrimônio do ex-banqueiro. A defesa sustenta que a exposição pública da relação tem causado danos pessoais e profissionais à cliente.

Sobre a convocação de Martha Graeff pela CPI do Crime Organizado, o advogado afirmou que o depoimento pode ser limitado por decisões judiciais que restringiram o uso de determinadas mensagens.

“Se o interesse de ouvi-la é vinculado a mensagens que foram proibidas, o depoimento fica prejudicado. Não há como fazer um movimento junto a uma prova que foi vedada”, afirmou, acrescentando que ela se via apenas como namorada de um empresário que se apresentava como bilionário, sem suspeitar de irregularidades.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.