Chorume de semitons e guinchos em auto-tune: Juliette emudece a MPB e enterra a crítica. Por Luís Antônio Giron

POR LUÍS ANTÔNIO GIRON

O EP “Juliette” (Rodamoinho Records/Virgin Music Brasil) foi lançado às nuvens nesta sexta quando deveria ser lançado às chamas, em um remake do programa “Um instante, maestro!”, apresentado por Flávio Cavalcanti.

Mas não há mais Flávio e seus  jurados furibundos, assim como não existe mais críticos, engolidos pelo maelström da complacência e do jabaculê.

Tapem nariz e ouvidos e me acompanhem. O álbum consiste em um chorume de semitons e guinchos editados em auto-tune que medalhões da MPB acolhem por interesses comerciais. Falsianes! 

Tantas cantoras incríveis à espera de uma chance, ensurdecidas por um subproduto do marketing do #BBB21.     

A crítica musical morreu com a partida de José Ramos Tinhorão. As plataformas digitais, os influencers, os canais que vivem de views e os jornalões precisam dos anúncios dos patrocinadores de lixo ruidoso. 

Ninguém, a não ser os zumbis que amam a MPB como eu, vai se levantar para verberar contra a ruína da cultura brasileira. 

Que então seja eu e meus companheiros de jornada aparentemente finda, quixotesca, ainda que honorável, enquanto houver justiça e arte.