Cidadão de bem preso por atacar ministro do STF não espera nem sair da delegacia para voltar a delinquir. Por Joaquim de Carvalho

Brozeri e Douglar Garcia: discurso político na delegacia
Bronzei, algumas horas antes, quando foi preso: só assim ele parou de fazer ameaça

Para sair, pagaram fiança de um salário mínimo, e deram demonstração de que não deixarão de delinquir. Fizeram novas ameaças e ofensas.

Escoltado pelo deputado estadual Douglas Garcia, apontado na CPI das Fake News como um operador do gabinete do ódio, um deles fez uma declaração ao vivo, transmitida em perfis do Facebook. Douglas Garcia é ligado a Eduardo Bolsonaro.

“Eu levei 30 anos para votar no homem que vai limpar este país dessa aristocracia corrupta. E não é um aristocrata (Alexandre de Moraes) colocado no STF por um réu, ladrão, senhor Michel Temer, que vai imputar ao nosso presidente Jair Messias Bolsonaro o que ele quer. O Brasil quer limpeza, o Brasil quer honestidade, e esse homem não pode ser punido por ser honesto por canalha algum. Eu quero deixar todos os canalhas deste país de que fique bem claro: o nosso presidente, se for atentado uma vírgula contra ele, lá estaremos”.

O autor da frase é um empresário já conhecido pelas barbaridades que diz em atos na avenida Paulista. Em março, ele, disse, por exemplo, que coronavírus não existe, que era uma invenção da imprensa e da China. E convidava as pessoas a deixarem os apartamentos para protestarem.

O “cidadão de bem” se chama Antônio Carlos Bronzeri, e ao fazer declarações desse tipo fortalece políticos que estavam a seu lado, seja os que têm mandato ou outros que estão na pista, todos com celulares na delegacia e fazendo transmissão ao vivo.

A verdade que havia pouca gente  – nem 10 pessoas — e mesmo a audiência das lives era relativamente insignificante.

Deram demonstração, no entanto, de que estão dispostos a fazer barulho.

Que não nos intimidemos. Que os responsáveis pelas instituições brasileiras não se intimidem.

São como cachorros desdentados. Latem, mas não mordem, a não ser em ambientes dominados por cúmplices ou covardes.

O 14o. Distrito Policial, por exemplo, jamais poderia ter sido usado para palanques políticos e ameaças partidas de quem havia acabado de pagar fiança justamente por fazer ameaças.

E as ameaças que motivaram a prisão foram claras, não encontram amparo no exercício da liberdade de expressão, que não justificam crimes.

O cidadão de bem, com microfone na mão, dizia em frente ao condomínio onde Alexandre de Moraes mora:

“Vem aqui, cara de pau, bandido, canalha. Desce aqui, queremos ver sua cara, canalha. Desce aqui, bandido! Desce aqui, ladrão. Desce aqui, bandido.”

Só parou quando a viatura da PM chegou e ele foi levado para a delegacia.

Se ir à frente da residência de um ministro do STF (ou quer quer que seja) com caixa de som e chamar de bandido e canalha não for crime, o que mais será?

É preciso verificar quem está por trás desses manifestantes.

É possível que sejam apenas imbecis. Afinal, defender Jair Bolsonaro como se estivesse defendendo o combate à corrupção é como defender Fernandinho Beira-Mar como se estivesse combatendo o tráfico de drogas.

Ou uma coisa, ou outra.

Bolsonaro enriqueceu na política e uma das justificativas do veto à nomeação de Alexandre Ramagem é justamente a existência de investigação que envolvem os filhos do presidente.

Um deles, Flávio, desviava dinheiro público em benefício próprio, por meio do arrecadação de parte dos salários de funcionários pagos com o dinheiro dos tributos dos cariocas.

Mas a imbecilidade não parece explicar tudo. É preciso verificar se não recebem outras vantagens.

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PS: Cidadão de bem é como os militantes da Ku, Klux, Klan se tratavam nos Estados Unidos. Usando versículos bíblicos, a KKK tinha um jornal que se chamava “Cidadão de bem”. Para preservar a democracia, o Estado norte-americanos decidiu enfrentá-los e tem até um departamento do FBI exclusivamente voltado para não deixar que a praga cresça.

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