Cidades com mais voto em Bolsonaro têm o dobro de mortes por covid que as com mais voto em Haddad

Fernando Haddad e Jair Bolsonaro

Ao compararmos o padrão de voto e a mortalidade por covid-19, há uma correlação positiva entre o voto em Jair Bolsonaro e a quantidade de óbitos pela doença. As 10 cidades com mais voto em Bolsonaro têm o dobro da taxa de mortalidade das 10 cidades com mais voto em Fernando Haddad. 

Relacionando os dados de votação no site do TSE com os dados de covid, obtidos no portal do SUS, vemos como a mortalidade por covid cresce conforme aumenta o percentual de voto em Bolsonaro (em azul) e cai conforme o voto em Haddad (em laranja) – veja no gráfico abaixo as duas correlações.

 

Há também um componente geográfico nesse recorte estatístico: as 10 cidades com mais voto em Bolsonaro estão na região Sul, oito delas em Santa Catarina. Já as 10 cidades com mais voto em Haddad estão todas no Nordeste, sete delas no Piauí.

Nas cidades com mais voto em Haddad, apenas Bela Vista do Piauí apresenta taxa acima de 70 mortos por covid a cada 100 mil habitantes, com índice de 148 mortes a cada 100 mil habitantes (veja a tabela abaixo).

 

Já nas cidades com mais voto em Bolsonaro, o cenário é diametralmente oposto, com apenas duas cidades com índice inferior a 70 mortos a cada 100 mil habitantes – Ascurra (SC), com 50,1 e Flores da Cunha (RS), com 67,6 óbitos por 100 mil moradores (veja a tabela abaixo).

 

Fora das capitais, o voto em Bolsonaro e Haddad segue padrão oposto. Mais voto em Bolsonaro, mais mortalidade por covid. Por outro lado, quando cresce o voto no petista, a mortalidade cai. Para Fernando Horta, professor da UnB que analisou os dados, o menor acesso à informação pode ser a hipótese por trás dessa correlação entre voto e covid (no gráfico abaixo, a correlação positiva entre voto em Bolsonaro e mortes por covid).

Por outro lado, nas capitais, o trabalho feito pelas prefeituras e governos estaduais tende a sobrepujar a influência informativa do presidente sobre a população. Também pode ser um indicativo da perda de popularidade de Bolsonaro nas maiores cidades do país.

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