Ciro entra no “dream team” da desonestidade ao jogar Bolsonaro no colo do PT. Por Kiko Nogueira

Haddad e Ciro no debate do SBT

O maior inimigo de Ciro Gomes será sempre Ciro Gomes.

No debate do SBT, o presidenciável do PDT embarcou num discurso antipetista rasteiro contra Fernando Haddad.

Afirmou não querer governar com o PT por entender que o partido é “responsável pelo surgimento de Bolsonaro e do sentimento de ódio que tomou conta do país”.

“Esse conflito vai acabar levando o Brasil para o buraco”, vaticinou.

Haddad deu-lhe uma merecida cacetada lembrando que foi convidado “para vice de sua chapa e a chamava de ‘dream team’, o time dos sonhos’”.

A expressão foi usada por Ciro em entrevista ao El Pais em agosto de 2017.

Haddad representa o que há de melhor no PT e não carrega o estigma que é, em parte, injusto”, falou.

Ciro repete a cantilena mervalista de que Lula inventou o “nós contra eles” na pacífica nação brasileira.

Antes do “lulodilmismo”, andávamos todos de mãos dadas, sorrindo uns para os outros, distribuindo flores nos farois.

Ciro está abdicando dos votos dos petistas caso vá para o segundo turno — e não vai ganhar ninguém no antipetismo, seara onde Bolsonaro chafurda absoluto e com mais legitimidade.

É uma desonestidade brutal jogar o fenômeno Bolsonaro no colo do PT.

Só o desespero explica essa investida. Ciro patina nos 11% desde os anos 90.

Noves fora que, se for eleito, ele espera governar com quem? O PDT? 

No Ceará, a relação entre petistas, aliados há anos do clã dos Gomes, e pedetistas vai de vento em popa.

De acordo com o Ibope, Camilo Santana ganharia no primeiro turno.

Essas eleições consagram Ciro Gomes como biruta de aeroporto da nação, um FHC de calças, personalista numa egotrip.

Tudo o que ele declara tem uma versão recente conflitante no Google.

É um poço de frases de efeito peremptórias e de contradições.

Vem garantindo que não daria indulto a Lula se eleito. Sossegou a Globo quanto a isso numa entrevista.

Em junho de 2017, no programa do DCM na TVT, contou seu plano para “salvar” o ex-amigo (assista no pé da página).

“Eu quero me voluntariar para formar um grupo, com juristas nos assessorando, que se a gente entender que o Lula pode ser vítima de uma prisão arbitrária, a gente vai lá e sequestra ele e entrega numa embaixada. Isso eu topo fazer”, relatou.

Em qual Ciro acreditar? Em qual Ciro votar?

Seja qual for, nenhum deles é confiável. Nem para a esquerda e nem para a direita. 

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